to the chaos and back

July 8, 2008

A Intransparência Cognitiva de um Ícone ou O Caso Milman, de novo

Filed under: salada de frutas

Li na manhã de hoje o Bolefa, boletim feito por alguns fabicanos de semestres mais baixos que outrora representou o Dacom. Quem frequenta esse blog lembra o que foi o Dacom, então não precisa de explicações. Pois, a matéria central fala sobre o caso Luís Milman, professor de semiologia da Faculdade de Comunicação da UFRGS, agora afastado mais uma vez por motivos de saúde.

    Como era uma matéria de alunos de jornalismo de semestres mais baixos, num veículo apropriado para isso, é claro que a matéria está lotada de juízos de valor. Eu também teria, no terceiro semestre, a petulância de dizer que os métodos de ensino da matéria de Milman estavam todos errados, pois não era assim que se ensinaria semiologia, mesmo sem nunca ler qualquer livro de semiologia. Não é preciso nem saber o que significa a palavra, a bem da verdade, para saber que Milman era qualquer coisa menos um professor normal. Autoritário, carrancudo, não fazia a menor questão de ser claro ou ser amigo de qualquer átomo presente na sala de aula. Tinha gente que gostava dessa disciplina terrorista; eu não, é claro. Certa vez citei ele no meu blog antigo e ele veio conversar comigo na saída da aula, dizendo que não gostaria mais de ser citado por mim na internet, promessa que estou descumprindo agora. Seus métodos de intimidação não eram novidade para ninguém.

    Passavam em branco? Não exatamente. Passavam por que até vencer a batalha do plágio (referências 1, 2, 3 e 4 podem esclarecer tuas dúvidas) Luís Milman tinha no seu íntimo a confiança de que poderia ser um bom professor. A aula de semiologia que tive com ele, na qual estudamos a Intencionalidade de Searle e outras coisas, incluindo o seu artigo, tinha conteúdo. Tinha também autoritarismo, prepotência, idéias herméticas e muito difíceis de compreender, mas havia algo a retirar daquilo para o aprendizado da linguagem. Pelo que foi descrito nas páginas centrais do Bolefa, isso acabou. Após vencer o caso do plágio, Milman colecionou licenças médicas, ausentou-se da sala de aula e não acrescentou nada ao aprendizado dos alunos, trabalhando apenas o seu artigo e de forma não apenas autoritária, mas especialmente sem vontade. Parece que o professor desistiu da Fabico ou dos alunos.

    Só precisa se convencer disso. Enquanto as licenças médicas lhe permitem, ele vai mantendo o emprego. Falei há pouco com o coordenador do DECOM, prof. Mário Rocha, para ver se ele poderia me dizer qual o problema médico do professor Milman. É sigiloso, me respondeu Rocha. E a UFRGS poderia exigir a perícia de uma junta médica para avaliar se ele está mesmo doente? Poderia, mas ainda não é de sua alçada, estão trabalhando para ver a viabilidade disso. Sempre acreditei que o professor tem problemas psiquiátricos. Não posso comprovar, mas duvido que outro motivo produza tantas licenças de incapacidade no trabalho por tanto tempo. Ainda mais com o comportamento apresentado pelo professor em sala de aula.

    A matéria demonstra que os estudantes que a fizeram estão realmente determinados em fazer da retirada de Milman uma conquista do movimento estudantil na Fabico. Lá na página central, numa pequena entrevista com o militante sionista, ele fala que “posições juvenis de insurgência” dominaram a postura de uma determinada turma em querer a sua cabeça. “Senti-me desprestigiado profissionalmente por um grupo de alunos que não têm discernimento sobre o que é o comportamento acadêmico”, disse ele.

    É triste que uma pessoa que tenha um determinado conhecimento e ministre uma disciplina significativa na Fabico - por ser uma das poucas matérias realmente filosóficas, que podem familiarizar o estudante com a teoria, o que não acontece quase nunca no resto do tempo - esteja encerrando sua jornada de forma tão patética. Vitimado por problemas de comportamento, o professor Luís Milman acaba golpeado por alunos de primeiros semestres, ávidos por derrubar a autoridade vigente, e sucumbe. Trava uma luta que não é boa para ninguém, mas é ruim especialmente para ele, que não tem mais qualquer respeito entre os alunos e está perdendo o pouco de prestígio que tinha na academia.

June 21, 2008

o Correio está mudando

Filed under: extra! extra!

texto sobre o show de Joss Stone no jornal de sábado:

(…)Linda, ao vivo é mais tudo. O show foi envolvente e ela deslizou, afinadíssima, pés descalços pelo tapete persa. Com uma mescla de sensualidade e meiguice, agradou tanto no palco com uma competentíssima banda, sorriu sempre e não perdeu a ternura… jamais. Afinada totalmente, cantou já conhecidas músicas do primeiro CD, ‘The Soul Sessions’ e do segundo, ‘Mind, Body & Soul’. Espontaneamente feliz no palco, foi do soul ao reggae dominando o cenário com um balanço contagiante. A legião de fãs cantando até as músicas de seu novo CD, ‘Introducing Joss Stone’. Emocionada e com aparente espanto, agradeceu a interatividade total com o público, arriscando palavras em português. Despediu-se… voltou ao palco para o bis… encantou… distribuiu rosas e saiu feliz. Mistura de diva em processo e eterna garota. Piercing no nariz, pinta no braço esquerdo e sentimento que brota do seu espírito musical e de seu corpo que encanta e causa inveja… Yeah!

nunca imaginei ver em um jornal tão sisudo texto cheio de reticências e terminando com um Yeah!. Não sei se é bom, se é ruim, mas é bem diferente da época dos Bastos Ribeiro.

June 16, 2008

fazer o óbvio

Filed under: salada de frutas

Não vi direito o jogo do Inter, apenas dei uma breve espiada enquanto pegava a Morgana no colo e arrumava a sala de casa. Ouvi inteiro no rádio. O rádio é sempre suspeito, ele engana. Dia desses, ouvi que Ji-Paraná fez uma grande partida; daí ouvi relatos de quem esteve no Beira-Rio e todos queriam ele fora do time.

Duas coisas, porém, me agradaram. A primeira foi que o Inter foi dominado pelo Botafogo, teve menos chances de gol, teve um jogador expulso, mas mesmo assim venceu. Isso é um bom indicativo, pois dá confiança e um pouco mais de tranquilidade. A outra foi que, ouvindo o que o Rodrigo me disse sobre a partida, o Inter teve mais posse de bola. “Parecia que voltamos a jogar futebol depois de sei lá, dois anos”, contou ele.

Trabalhar a posse de bola, nesse time do Inter, é fundamental. O Inter tem atletas que atuam muito bem com a bola nos pés, especialmente no meio-campo (Guiñazu, Magrão, Alex) e uma defesa frágil. Quanto mais tempo tiver a bola, menos a defesa será acossada, e menor a possibilidade de erros fatais que comprometem resultados. Parece óbvio, mas são poucos os treinadores que colocam as circunstâncias na frente do seu estilo de trabalho. Muricy, por exemplo, instalaria a sua retranca-contra-ataque de sempre e mandaria às favas as características dos atletas.

Descontando toda a carga de marketing pessoal de Tite, que encanta mais jornalistas do que torcedores, me agradou a sua franqueza em relação ao time. Pouco me interessam as entrevistas em programas esportivos depois do jogo, pois as coisas mais importantes a respeito das suas idéias de futebol não podem ser ditas. Achei interessante, porém, as entrevistas antes da partida e no intervalo.

Ele não disse exatamente isso, mas foi assim que entendi:
antes - “precisamos de posse de bola, domínio de campo e solidariedade na marcação”
depois - “com um a menos, agora é a hora de se defender e segurar o resultado”

É óbvio? Claro que é. Com um time bom, como é o do Inter, fazer o óbvio já é grande coisa.

June 15, 2008

desagravo

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Eu fui um dos maiores críticos do Fernandão que vinha jogando no time. Leniente, apático, com a cabeça nas nuvens, trancando o jogo.

Eu acho que, de forma cínica, o Inter pode contratar um jogador em melhor momento técnico.

Agora, ao mesmo tempo, digo três coisas:
- por mais que o Inter possa comprar um atacante MELHOR com 4,4 milhões de reais, nem com 44 milhões poderá trazer um jogador MAIOR que ele;

- agora eu consigo entender a descendência técnica do jogador. É impossível se concentrar apenas no jogo negociando por milhões de dólares, sabendo que essa proposta poderá nunca mais chegar. Aconteceu o mesmo com Abel, FC disse isso na ZH de hoje;

- criticava o jogador por que achava que ele poderia render mais. Não daria para criticar o Jonas, por exemplo.

sou obrigado a respeitar a grandeza desse momento, que determina o fim de uma era no clube. Não poderia ser cínico para dizer que foi bom para o time. É uma grande mudança. Que afeta o clube inteiro.

O fim da era Fernandão

Filed under: salada de frutas

Nos tempos atuais, as eras não são mais que minutos no longo relógio do homem.

Houve uma era Pelé, que durou toda uma década. Uma era Falcão, na década seguinte. Houve uma era Zico, que teve uma breve interrupção, quase não sentida nos dez anos de auge no Flamengo.

Aí, o futebol virou mercado. Quando Zico e Falcão foram para a Itália, o sinal estava dado. Acabava a época dos grandes times.

O São Paulo de Telê, bicampeão do mundo, não durou mais que quatro anos. Três anos depois de assumir o Grêmio, Felipão disse que o ciclo acabara. O mesmo aconteceu com o Cruzeiro, o Palmeiras, o Corinthians, o Santos. Grandes times. Curto tempo.

No dia 14 de junho de 2004, Fernandão assinou contrato com o Internacional. Uma Libertadores, um Mundial, uma Recopa e exatamente quatro anos depois, ele se despede. Vai para o milionário e obscuro futebol do Catar.

Tudo muito rápido. De manhã, o anúncio. De tarde, a despedida no vestiário. De noite, o embarque.

Para mim, a era Fernandão não começou quando ele veio. Começou quando dois garotos chamados Daniel Carvalho e Cleiton Xavier promoveram uma virada histórica no Olímpico, em fevereiro de 2003. Dali em diante, alguns percalços, muitas glórias, e inclusive a chegada de um grande jogador, que daria nome a esse novo tempo do Inter.

Um tempo glorioso. Um tempo em que se alcançaram feitos relevantes, jamais alcançados. Um tempo em que se derrubaram tabus, gigantes, e se construíram mitos.

Quatro anos, no longo relógio do homem, não são nada.

No centenário relógio do Inter, esses quatro anos foram muito.

Acabou a era Fernandão.

O Inter permanece. Nesse sábado, mais uma vitória, menos uma lenda.

June 13, 2008

falando nisso

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leiam isso aqui.

curiosidades

Filed under: tribuna popular

por que nos piores momentos institucionais dos governos, eles resolvem baixar a porrada no povo?

por que as fotos dos grandes jornais de Porto Alegre são tiradas do lado da polícia? (observem esta, por exemplo: o fotógrafo está atrás dos brigadianos)

seria coincidência o fato do Coronel Mendes, principal notícia da ZH após o “gabinete de transição”, estar novamente no foco das atenções na semana seguinte à calamidade ocorrida no Governo do Estado?

por que o Coronel não resolve preservar a ordem pública entrando no plenarinho da Assembléia com cassetetes, bodoques, espadas e armas com balas de borracha, agindo furiosamente contra os ladrões?

June 12, 2008

Conjectura

os diálogos abaixo foram invenção da minha cabeça, baseadas na lógica dos fatos correntes. Se não for verdade, se for inverossímil, gritem nos comentários.

quinta:
FC: “Píffero, o melhor treinador é o Tite”
VP: “Não gosto, e a torcida vai me matar pq é gremista”.

sexta:
FC: “Luigi, o meu treinador é o Tite, mas o Píffero não quer”.
GL: “O meu também. Vou tentar convencer o presidente.”

sábado:
GL: “O meu treinador e o do Carvalho, é o Tite. Topas?”
VP: “Nunca. Qualquer um. Até o Nelsinho.”

domingo:
GL: “Presidente disse nunca, até o Nelsinho serve.”
FC: “Ah é? Vamos ver.”

segunda:
FC, Rádio Gaúcha: “Nelsinho é um grande treinador e foi injustiçado no Inter”

terça:
VP: “Porra, de onde tiraram o Nelsinho?”
GL: “Ah, o Carvalho disse que tu gosta dele. Eu ainda prefiro o Tite. Mas é tu quem manda.”

ontem:
FC: “Viu? Perto do Nelsinho, o Tite é ídolo. A Gaúcha deu 90% a favor do meu treinador”.
VP: “Tá bom, vamos chamar. Mas com uma condição.”
FC: “Qual?”
VP: “Não sou eu quem vai aturar ele no vestiário. Vai ser tu.”

June 11, 2008

O Inter e o mato, sem cachorro

Filed under: salada de frutas

Finalmente chegamos no ponto da insanidade completa. Fernando Carvalho elogia Nelsinho no rádio e diz que ele foi injustiçado. Vitório Píffero, segundo repórteres, concorda. Giovani Luigi quer Tite, mas admite que o presidente é quem manda. A última vez que isso aconteceu foi em 2004, quando Lori foi demitido, vários comandantes foram tentados e aportou no Beira-Rio JOEL SANTANA, sob elogios de Carvalho e Píffero.

Autuori não sai do Catar, até por que teria de devolver dinheiro para os xeques. Muricy não será demitido. Tite é considerado de caráter duvidoso por gente do futebol, por conta dos processos judiciais e de eventuais atritos com dirigentes - Píffero pode estar entre as pessoas que o consideram assim. Cuca foi para o Santos. Leão é caro. Dorival Júnior teria de pagar 450 mil ao Coritiba de multa rescisória. Restam opções como Nelsinho, Bonamigo, e pensamentos mágicos como Falcão e Carpegiani.

Vamos ser francos: agora, o Inter está no mato sem cachorro.

Desde que Abel saiu do clube, eu disse que apostaria em dois treinadores para o Inter: Paulo Autuori ou Tite. O primeiro, empregado, de liberação mais difícil, seria uma alternativa complicada. O segundo, uma aposta certa, pois está desempregado e nunca se recusaria. Autuori foi tentado, não quis vir e a porta se abriu para Adenor Bachi.

Eu confesso que a declaração de Paulo Pelaipe publicada no Impedimento mudou um pouco o meu conceito sobre Tite. Talvez, de fato, ele tenha desvio de caráter, por ter dito uma coisa na frente do diretor e outra para os atletas. Pensando melhor, porém, entre o ano de 2002 (no qual aconteceu isso) e 2008 Tite colecionou fracassos e até mandou uma equipe (Atlético MG) para a Segunda Divisão. Alguma coisa pode ter aprendido nesse tempo todo. Se não aprendeu, uma conversa franca e aberta do presidente poderia resolver. “Olha, Tite, eu tinha restrições ao teu nome por causa dos fatos tais. Aqui, tu vais receber em dia e terá de cumprir as ordens da direção. Se a gente perceber que tu está agindo com duas caras, vamos te mandar embora na hora”. Duvido que não aceitaria. Tite está louco por essa oportunidade.

May 26, 2008

mudança

Filed under: salada de frutas

mudei o template. Peguei um tema básico por que não tenho mais tempo de editar essas coisas.






















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