e Jesus chamou
Todos os prognósticos dizem que um time precisa de 10 pontos para se classificar na Libertadores. Confiavam nesses prognósticos Fernando Carvalho, no ano passado (o Inter fez 14 pontos na 1ª fase, o segundo colocado, Nacional, fez 9) e Giovani Luigi, neste ano. O Inter fez 10 pontos na primeira fase e foi eliminado no saldo de gols, mesmo destino que teve a Universidad Católica em 2006.
Os prognósticos falam sobre o que é suficiente para se classificar. Assim como todos os especialistas afirmam ser um plantel campeão do mundo suficiente para fazer boa figura na Copa Libertadores. O futebol não é uma ciência exata, entretanto. Os colorados sabiam que o jogo contra o Barcelona não era padrão para vencer a América novamente. Por que o Mundial se decide numa partida onde precisamos defender e mostrar garra; a América se decide em jogos onde é preciso atacar, destroçar os adversários fracos e comer a grama contra os mais fortes. O futebol brasileiro sobra na América, como as duas últimas Copas comprovaram.
Os colorados sabiam que para continuar sobrando na América, era preciso repôr as perdas. Fabiano Eller, Bolívar, Rafael Sobis, Tinga, Rentería, todos jogadores que em algum momento foram definitivos na campanha de 2006. Vitório Píffero e Giovani Luigi são formados, respectivamente, em Engenharia e Administração. Escolados nas ciências exatas. Acreditaram nos prognósticos e na lógica. Mas o plantel campeão do mundo não foi suficiente. Porque a lógica do futebol é um tanto diferente, subversiva, inexata.
A lógica do futebol não permite que, na mais difícil partida na primeira fase, seja escalada a pior formação de todo o primeiro semestre. Esta foi: Clemer; Ceará, Índio, Wilson e Hidalgo; Edinho, Maycon, Adriano (Christian) e Fernandão; Iarley (Alexandre Pato) e Michel (Vargas). Veja que os melhores jogadores do Inter na primeira fase, Vargas e Alexandre Pato, estavam na reserva. Na partida mais difícil do campeonato. Inconcebível.
A lógica no futebol condena os dirigentes pouco ousados à mediocridade. Em quatro meses, apenas uma contratação foi efetuada: Christian. Um centroavante reserva. Sendo que perdemos cinco jogadores, em relação ao ano passado, que foram DECISIVOS na campanha. O resultado estava previsto quando saiu a lista dos 25 inscritos. Os adversários dessa primeira fase eram mais fortes – até porque o Pumas do ano passado era um Vélez Sarsfield que deu muito errado. O time do Inter é mais fraco.
Só a direção não viu isto. Pelos erros de Píffero e Luigi, todos nós pagamos.
Uma revolução é necessária, expurgando do grupo perebas como Rafael Santos e Ediglê. Talvez uma mudança de treinador, mas não sei até quando isso seria benéfico, pois assim se obtém um bode expiatório, esquecendo a necessidade de fazer mudanças mais profundas.
Vai ser um ano difícil.
Para não esquecer: quando a cabeçada de Pato bateu na trave, nas costas de Muslera e saiu, eu me vi no Defensores del Chaco novamente. A diferença: o goleiro era Clemer, o time adversário era o Libertad e o acontecimento motivou uma frase de Leandro, ao meu lado: “Agora, ninguém mais tira”. Algum uruguaio deve ter dito o mesmo ontem.
