to the chaos and back

April 20, 2007

e Jesus chamou

Todos os prognósticos dizem que um time precisa de 10 pontos para se classificar na Libertadores. Confiavam nesses prognósticos Fernando Carvalho, no ano passado (o Inter fez 14 pontos na 1ª fase, o segundo colocado, Nacional, fez 9) e Giovani Luigi, neste ano. O Inter fez 10 pontos na primeira fase e foi eliminado no saldo de gols, mesmo destino que teve a Universidad Católica em 2006.

Os prognósticos falam sobre o que é suficiente para se classificar. Assim como todos os especialistas afirmam ser um plantel campeão do mundo suficiente para fazer boa figura na Copa Libertadores. O futebol não é uma ciência exata, entretanto. Os colorados sabiam que o jogo contra o Barcelona não era padrão para vencer a América novamente. Por que o Mundial se decide numa partida onde precisamos defender e mostrar garra; a América se decide em jogos onde é preciso atacar, destroçar os adversários fracos e comer a grama contra os mais fortes. O futebol brasileiro sobra na América, como as duas últimas Copas comprovaram.

Os colorados sabiam que para continuar sobrando na América, era preciso repôr as perdas. Fabiano Eller, Bolívar, Rafael Sobis, Tinga, Rentería, todos jogadores que em algum momento foram definitivos na campanha de 2006. Vitório Píffero e Giovani Luigi são formados, respectivamente, em Engenharia e Administração. Escolados nas ciências exatas. Acreditaram nos prognósticos e na lógica. Mas o plantel campeão do mundo não foi suficiente. Porque a lógica do futebol é um tanto diferente, subversiva, inexata.

A lógica do futebol não permite que, na mais difícil partida na primeira fase, seja escalada a pior formação de todo o primeiro semestre. Esta foi: Clemer; Ceará, Índio, Wilson e Hidalgo; Edinho, Maycon, Adriano (Christian) e Fernandão; Iarley (Alexandre Pato) e Michel (Vargas). Veja que os melhores jogadores do Inter na primeira fase, Vargas e Alexandre Pato, estavam na reserva. Na partida mais difícil do campeonato. Inconcebível.

A lógica no futebol condena os dirigentes pouco ousados à mediocridade. Em quatro meses, apenas uma contratação foi efetuada: Christian. Um centroavante reserva. Sendo que perdemos cinco jogadores, em relação ao ano passado, que foram DECISIVOS na campanha. O resultado estava previsto quando saiu a lista dos 25 inscritos. Os adversários dessa primeira fase eram mais fortes – até porque o Pumas do ano passado era um Vélez Sarsfield que deu muito errado. O time do Inter é mais fraco.

Só a direção não viu isto. Pelos erros de Píffero e Luigi, todos nós pagamos.

Uma revolução é necessária, expurgando do grupo perebas como Rafael Santos e Ediglê. Talvez uma mudança de treinador, mas não sei até quando isso seria benéfico, pois assim se obtém um bode expiatório, esquecendo a necessidade de fazer mudanças mais profundas.

Vai ser um ano difícil.

Para não esquecer: quando a cabeçada de Pato bateu na trave, nas costas de Muslera e saiu, eu me vi no Defensores del Chaco novamente. A diferença: o goleiro era Clemer, o time adversário era o Libertad e o acontecimento motivou uma frase de Leandro, ao meu lado: “Agora, ninguém mais tira”. Algum uruguaio deve ter dito o mesmo ontem.

April 11, 2007

a patrola do progresso

Alerta aos colegas futuros jornalistas: livrem-se dos seus gravadores com fitas K7. Ou comprem estoques gigantescos dessas fitas, estoques de guerra, estoques que cubram o eterno racionamento que está por vir.

A popularização dos gravadores digitais, mp3 players e afins, ao lado da consolidação dos gravadores de CD, acabou com as fitas K7. Vejam; não estou dizendo ACABARÃO com as fitas, no futuro do presente. É ACABARAM mesmo, sem futurismos. Não existem mais fitas K7 em Porto Alegre. Só no Centro, onde também encontramos rádios de nove bandas, discos de vinil, lambe-lambes e outras velharias.

Hoje tinha de fazer uma entrevista nos altos da Santana, 1453, às 12h. Saí 10h30 da aula, com o objetivo de comprar pilhas e fitas K7 e a perspectiva de almoçar tranquilamente antes do quiproquó. Pilhas eu achei de barbada, fitas k7, necas. Bom, é claro, estava pelas voltas da Santana, nos mercadinhos bazares e afins da zona realmente não devem ter fitas. Fui ao Bourbon Shopping Ipiranga com a GARANTIA que acharia todo o necessário e ainda almoçaria a tempo.

Procurei em bazares, lojas de CDs, tabacarias, lojas de revistas, celulares, reveladoras de fotos e no supermercado. NADA de fitas K7. NADA. Inclusive o vendedor de uma das lojas me disse que não trabalham mais com isso há tempos. Vi fitas mini DV, 8MM, VHS (outra espécie quase em extinção), pencas de CDs e DVDs graváveis, mas fitas K7, necas.

No ano passado, em Rivera, vi gravadores digitais por preços baratos. Cheguei à conclusão que não deveria comprar, afinal, era um gasto desnecessário. Agora vi que o gasto é necessário. Do contrário, corremos risco de perder entrevistas por conta da falta de materiais antiquados. A entrevista de hoje só foi salva pelo meu mp3 player.

o inferno vai ter que esperar

A Unidade Móvel deste blog alerta: engarrafamentos longos na Zona Sul de Porto Alegre no dia 19/04. Borges de Medeiros, Edvaldo Pereira Paiva, Ipiranga, José de Alencar, Praia de Belas e especialmente a Av. Padre Cacique.

Inter X Nacional vão jogar às 19h15 na próxima quinta-feira, no estádio Beira-Rio e só a vitória interessa para a classificação. O horário é uma atrocidade para um jogo de tanta importância. No mínimo 35 mil no Gigante, sendo que 80% do público vai chegar no horário da peleja. Filas e mais filas nas bilheterias. Tentarei chegar mais cedo.

O jogo de ontem, ouvi ao vivo apenas pelo rádio. O VT na TVCom depois me ajudou a compreender o ocorrido e sem o stress natural da partida – certamente iria querer o fígado de Iarley assistindo pela Sportv. A vitória foi importantíssima, mas o sofrimento para ganhar daquele time ruim do Emelec demonstra a total desorganização do Inter. Abel está agora juntando os conceitos espatifados nos últimos 3 meses, começando por retornar com a formação que venceu o Barcelona e o Al Ahly. O problema é que esta formação funciona quando o Inter precisa se defender. Nem o Fortes e Livres de Muçum precisa se defender diante do Emelec.

Chamando a Empresa Eléctrica para o jogo, o Inter deu sopa para o azar e criou algumas situações de perigo para si próprio, baseado especialmente na figura de Martin Hidalgo. Lá pelos 35 do 1º, acharam um gol. Fernandão chuta, o gandula disfarçado de goleiro rebota e Iarley, impedido, estufa. 1x0. Todo mundo pensa: “bom, agora é hora de relaxar, adiantar a marcação, tomar conta do jogo e enfiar uns dois ou três”.

Até chegar o momento de uma falta absolutamente despretensiosa para a Empresa Eléctrica, que levanta a bola na área. A zaga do Inter se adianta antes do chute para provocar o impedimento e não se incomodar. Só Ceará não sabia. Quatro ou cinco eletricistas em condição, gol de Arroyo, 1x1.

No videotape, eu fiquei irritado com o Ceará, imagina ao vivo.

A nossa sorte é que os trocadores de fusível resolveram abrir uma freeway pelo lado direito da sua defesa, por onde Rubens Cardoso desfilou. Aos 8, a jogada que valeu a pena por todo o VT – Cardoso encarna Chiquinho, dribla pra dentro e dá um passe alto, tocando o pé por baixo da bola. Alexandre Pato domina na grama, dá um toque para a frente e chuta com classe, no único canto onde nenhum goleiro pegaria – nem Yashin, nem Banks, nem o gandula de boné que estava em campo ontem.

Abel está pelo menos determinado a não inventar demais, o que minimiza os efeitos da baixa qualidade técnica do Inter de 2007. Com a pressão do Gigante nas costas uruguaias, um bom resultado é possível dia 19/4. Agora é torcer para que os argentinos façam o crime no Parque Central.

Pedi emprestada a camisa do Vélez para um amigo gremista. Ele está relutante.

April 7, 2007

meninos e meninas

Filed under: tribuna popular

Reconheço que o meu tempo de convivência com homossexuais é curto. A rigor, comecei a ter amigos de outros matizes quando entrei na faculdade - e ainda demorei a reconhecer alguns como tais. Sempre soube que existiam gays e lésbicas, mas raríssimas vezes os tinha visto.

Não parece estranho que um jovem de 18 ou 19 anos, razoavelmente letrado para a idade, que sai à rua com frequência de dia e também à noite, nunca tenha visto um casal homossexual? Não são poucos os jovens de Porto Alegre nessa situação. Dada a quantidade de homos na cidade, é estranho.

Negros e mulheres assumiram espaços na sociedade menos por políticas públicas do que pelos seus próprios esforços. Por motivos óbvios, as mulheres nunca se fecharam em guetos - os negros sim, e saíram deles fortalecidos quando a sua contribuição para a sociedade revelou-se indispensável. O preconeceito ainda existe. Mas principalmente em um nível microssocial - homem contra homem, pequeno grupo contra a etnia.

No caso dos homossexuais não. Ao que vejo, o preconceito ainda é institucionalizado, mesmo com as novas leis e o respeito garantido à Declaração Universal. A maioria da sociedade discrimina. Onde está a reação? A mim não bastam as paradas ou as ferrenhas discussões em mesas de bar. Gostaria muito de ver gays e lésbicas se assumindo em público, andando nas ruas de mãos dadas, trocando beijos em público, na calçada do Nova Olaria ou na esquina da Ramiro com Osvaldo Aranha.

Causa tristeza pensar que a principal barreira de discriminação a ser superada pelos homossexuais seja destes consigo mesmos. Vejo uma dissimulação generalizada da expressão amorosa homo, o que tende a incentivar a hipocrisia vigente. A sociedade vai continuar fingindo que não vê gays nem lésbicas, enquanto estes fingem não existir.

April 5, 2007

chá de fraldas

Filed under: morgana

O chá de fraldas da Morgana será no dia 16 de abril, à noite, no Parangolé.

Nós três ficaremos muito agradecidos se vocês levarem especialmente fraldas e lenços umedecidos. Fricotes afins também são bem vindos. Se tudo der certo, teremos boas tortas.

jesus está chamando - parte 2

Bem feito. O Inter caiu diante do Veranópolis, da sua própria soberba e da inépcia do seu corpo diretivo.

O único termo que me vem na cabeça é este, “bem feito”. Bem feito : acharam que o campeão do mundo poderia perder jogadores a rodo e não precisava se reforçar. Bem feito: deram poderes ilimitados ao treinador, que se afundou em apostas com atletas medíocres. Bem feito: fizeram uma pré temporada festiva, menosprezando o regional sem se dar conta que poderia ser uma ocasião para entrosar a equipe. Os erros do Internacional nesse início de temporada são tão óbvios que, listados, poderiam compôr uma justa causa para demissão de todos.

Mas é certo que ninguém vai sair, pelo menos até as ondas do tsunami de incompetência invadirem o Guaíba e levarem consigo a taça da Libertadores - e por consequência, do Mundial. Serão dias sofridos e temos de estar preparados.

Vou torcer para garantir a vaga na Libertadores da América de 2008. Quem sabe nesta teremos chance.

April 2, 2007

jesus está chamando

Jesus Christian entrou em campo sob o signo da minha revolta, na noite de quarta. Pensei em começar a beber alucinadamente até o final do jogo enquanto ele estivesse em campo. A escalação até não estava ruim. Abel inventou Hidalgo e Edinho na zaga, esse último quase de líbero. Há tempos venho pedindo Edinho mais recuado, pois ele é melhor que Ediglê e Rafael Santos. Hidalgo foi uma grata surpresa também confirmada no sábado. Assim como Maycon, que desempenhou com competência a função de Wellington Monteiro. Alex até foi bem, mas faltou participação.

O grande problema estava no ataque. Alexandre Pato não pode ser reserva de Christian em nenhuma hipótese. A maior das provas disto aconteceu no sábado, contra o Gaúcho de Passo Fundo, que trata todo mundo com muito respeito, tanto que cairá para a segunda. Contra um adversário rebaixado, Christian deu UM chute a gol - pra fora. Pato chutou SEIS vezes, todas com defesa do goleiro Ezequiel, na maior partida da sua vida.

O Inter precisa vencer todas as partidas que restam na Libertadores, vencer o Veranópolis no Gauchão quarta-feira e de quebra, vencer a partida de sábado ou domingo pelas quartas-de-final do certame regional - contra Caxias, Esportivo ou Zequinha, se conseguirmos empatar com a Ulbra em pontos e descontar os mais de nove gols de saldo.

Na Libertadores, o Inter não depende só de si - precisa vencer as duas partidas e torcer para que Nacional e Emelec percam pontos. Jesus está chamando, mas o Inter não vai ao paraíso.






















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