to the chaos and back

July 30, 2007

derrota fabicana

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Estudantes da Famecos podem estagiar no Grupo Record RS

 

Os estudantes de Jornalismo da Famecos da PUC poderão estagiar no Grupo Record RS, formado pela TV Record, jornal Correio do Povo e rádios Guaíba AM e FM. O acordo foi firmado entre o grupo empresarial e a faculdade, com aprovação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul. Cada veículo poderá ter um estagiário para cada 10 jornalistas contratados. O estágio será de seis meses, renovados por mais meio ano. Não há período de inscrições. As emissoras comunicarão para a Famecos suas necessidades. A faculdade comunicará nos murais as vagas disponíveis e então recolherá os nomes dos interessados para encaminhar para os veículos, que farão a seleção. "A idéia é que os estudantes utilizados estejam a partir do 6º semestre", explica Flávio Portela, gerente de Jornalismo da Guaíba.

O protocolo foi assinado pela diretora da Famecos, Mágda Cunha; pelo vice-presidente do Grupo Record RS, Luiz Cláudio Costa; e pelo presidente do sindicato, José Nunes. Como testemunhas, assinaram a coordenadora de Jornalismo da faculdade, Cristiane Finger, e o 2º secretário do sindicato, Léo Nuñez. Além de Flávio Portela, esteve presente no ato o diretor de Redação do Correio do Povo, Telmo Flor.

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enquanto se perde tempo invadindo reitorias e lutando contra bares, a Famecos assina mais um convênio com empresas de mídia para recrutar estudantes de jornalismo, como já tinha com a Rádio Gaúcha e RBS TV. Sem falar que a chefe da faculdade é também chefe do jornalismo do SBT. A notícia é do coletiva.net.

July 27, 2007

matrícula

Filed under: extra! extra!

eis que chegou o dia, fatídico dia, de fazer a matrícula para o nono semestre da Fabico.

nono de entrada, diga-se. Meu ordenamento ainda está empacado no sétimo, número 181, três reprovações e um cancelamento nas costas. A piada é recorrente entre os fabicanos. "Qual teu semestre?" "Depende". Os acadêmicos da Feevale e da PUC geralmente não acham graça nenhuma.

a faculdade é um dos momentos onde tu passa a te sentir mais velho do que realmente é. O fenômeno de "esconder" a idade, frequente em quarentões e afins, é bem presente no meu imaginário. Não raro eu "escondo" o semestre em que estou. Num processo de seleção, ocorrido há uns dois meses, eu respondi com toda a cara de pau que estava no sexto semestre. Era só olhar no ordenamento, ora bolas. Não era mentira. Nos semestres anteriores, não raro dizia: "ah, estou no 3º semestre, mas já fiz cadeiras do 6º". Aquela coisa adolescente de parecer mais velho, sabe? Muito rápido isto se inverteu. A bem da verdade, o sexto semestre deve ser como os vinte e poucos anos. Sentimos vontade de nos eternizar neles.

mas Peter Pan não existe, e se existe não sou eu. Não adianta, eu olho para a Fabico e percebo que aquele é um ambiente que não me pertence mais. Não conheço os frequentadores do Dacom, não jogo sinuca com alguém do meu semestre já faz um bom tempo. Não sei quem são as pessoas que estão no pátio e quando sei, não me interessa conversar com elas. Na comunidade da Fabico no orkut, discutiam a respeito de uma cafeteria. Os bixos, todos, revoltados com a perda do espaço estudantil. Eu, feliz. Uma cafeteria me parece mais interessante do que uma expansão do Dacom ou do Ceabi - prefiro interagir com os salgados e xícaras de expressos que saem dali do que com os novos bixos. Eu sei que isto é horrível. Mas enquanto as pessoas que gosto frequentarem mais os bares do que os diretórios acadêmicos, vou pensar assim.

Morgana chegou e combinamos, Rê e eu, que o ideal seria eu me formar antes. A Rê teria todos os problemas relativos à licença maternidade, amamentação, gravidez, etc. Ela também tem emprego fixo, ao contrário de mim. Neste caso, o nenê mais bochechudo do mundo está sendo um grande impulso. Quando fiquei sabendo da gravidez da Renata, estava fazendo apenas 3 cadeiras na Fabico, sem nenhuma perspectiva nem vontade de me formar. A minha responsabilidade com as duas, porém, me faz terminar de vez essa faculdade. Tentei me matricular em sete cadeiras, só consegui cinco. Planos de formatura no próximo semestre, com direito a redação V, dez créditos eletivos para cumprir E uma monografia. Não vai ser nada fácil.

Mas se fosse fácil, não teria graça. Como diriam meus veteranos, no trote do dia 22 de setembro de 2003 - se não aguenta, por que veio? 

July 25, 2007

futebol no Pan

Sidney Garambone escreveu no seu blog um texto maravilhoso, que resume tudo o que eu penso acerca das lições que o futebol têm a aprender com os jogos Pan-Americanos. Tem como base a eliminação da ridícula seleção sub-17 para o lamentável Equador na disputa de futebol masculino.

Paguei e andei para o futebol eliminado

Aliás, não é de hoje que não dou pelota para o futebol em competições olímpicas ou pan-americanas. A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do calendário. Tão fascinante é este hábito mundial de correr atrás da bola e chutá-la dentro de um retângulo. Mas também não é de hoje que o Brasil não consegue bons resultados. Culminando agora com a eliminação do Pan do Rio, no Maracanã cheio, para o Equador. Parece mais um casamento arranjado, de noivos que não se amam.

Há alguns anos que a CBF faz careta para o espírito olímpico. Talvez pelos fracassos freqüentes, descontando aí os anos em que os países comunistas levavam vantagem, ou por uma incompreensão da festa universal que empacota os jogos, já que a Seleção acaba sendo mais uma e não a estrela principal. Pouca gente andava comentando a campanha do futebol masculino no Pan. Um ou outro corintiano vibrava com o bom desempenho de Lulinha. Mas o Brasil todo estava mais preocupado com as goleadas e a alegria de Marta e suas amigas no futebol feminino.

Não à toa. Basta conversar com a torcida na Arena Olímpica, no Parque Aquático, Velódromo, RioCentro e quadra da praia. A relação com os atletas é totalmente diferente. O tal orgulho e amor à mãe pátria, tão cobrado da Seleção Brasileira pré-Copa América. O fastio com jogadores que trocam de clube como trocam de celular. O espanto com salários assustadoramente altos dos craques exportados para o futebol europeu. Tudo isso é potencializado ao ver um novo astro como Thiago Pereira pegando o microfone no último dia da natação para agradecer o povo presente e o povo na TV. Ou o diálogo honesto travado entre Diego Hipólito e a massa que vaiava os adversários. O ginasta deu bronca e foi respeitado.

É bom todos os jogadores de futebol ficarem de olho no Pan. E aprender com reações como a da judoca Danielle Zangrando, incrédula, chorando e vibrando no pódio. Ou com a fibra de Diogo Silva no Tae Kwon Do. Ainda é possível misturar romantismo com profissionalismo. Basta não pensar só em dinheiro. Pois os teóricos mais recentes do capitalismo defendem em livros o lucro máximo. Tudo bem, ele estão no papel deles. Entretanto, que tal trocar lucro máximo por lucro ético, que seria um lucro suficiente para felicidade e ambição de todos, sem devastar antigas relações de trabalho e históricas conquistas sociais.

July 24, 2007

leituras

Filed under: salada de frutas

não recebi o meme (ah, esses novos termos) sobre as cinco leituras que estão mais presentes na minha vida, até por que não recebo essas coisas e meus amigos não devem conhecer sequer o termo. Mas li no blog da Cris Simon e achei divertido, tanto que resolvi fazer o mesmo. Vou usar exatamente o mesmo significado - leituras que estão mais presentes.

 O livro mais presente na atualidade só poderia ser o que estou lendo. Rádio Guerrilha - Rock e Resistência em Belgrado, de Matthew Collin, é um relato que conta a história de sobrevivência da rádio sérvia B92 durante o mandato de Milosevic. A história da Iugoslávia sempre me fascinou, desde o colégio, pois não conseguia entender como povos tão diferentes, que conviveram juntos por 80 anos, começaram a brigar de repente - e no meio da "civilizada" Europa. Ainda no primeiro ano do segundo grau fui inserido no mundo de Milosevic, do pan-eslavismo, do nacionalismo sérvio e na indústria de paranóia que envolve uma guerra. A rádio-rock-Alice* B92 estava no meio do furacão, com uma proposta de comunicação revolucionária, baseada no krautrock e nas idéias de Guattari, abrindo com pé de cabra a cabeça dos jovens iugoslavos. Exatamente o oposto do que prega uma ditadura. Cheguei nessa segunda-feira ao posfácio. O livro é evidentemente baseado na versão anti-Milosevic da história, o chefe da empresa Veran Matic parece de fato um herói incontestável. Não busquei a versão do ditador na história. Fiquei contente com o poder e a gana que ilustra o jornalismo idealista, tão necessário em momentos de crise e tão ausente nas nossas vidas mundanas.

Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano, é totalmente indispensável para quem gosta de prosa poética e, claro, de futebol. Galeano é um excelente mentiroso, tanto que vários dos fatos relatados na obra têm veracidade duvidosa. Quem se importa? Dane-se o culto do fato, como diria Nélson Rodrigues. Eu adoraria ter escrito esta obra - como não tenho tal genialidade, me contento em exercitar a poesia na cultura do desporto, através da coluna colorada semanal no FinalSports.

Para quem não sabe, todo final de semana falo sobre o Inter no sítio. Mas eu não chego nem perto do uruguaio. Quem se aproxima dele realmente é o Emanuel Neves, que assina Futebol Além do Olhar no mesmo portal. O texto desta terça feira, intitulado "Essa é a grande verdade", é uma pérola da beleza e da poesia que envolve o futebol. Emanuel se tornou dolorosamente imparcial, logo ele que é um colorado de quatro costados e escreveu delícias vermelhas durante a nossa Libertadores. Fazer o quê. Galeano é torcedor do Nacional, mas confessa no início do livro que um dos times mais encantadores que viu foi o Peñarol de Abadie e Spencer. Rival absoluto. A poesia não tem rivais, um dia vou aprender isso.

 

O Senhor Embaixador, de Érico Veríssimo, é o melhor romance sobre política que eu já li. Não li muitos, confesso. Gabriel Heliodoro é um caudilho clássico, daqueles mandatários de repúblicas de bananas que ilustram aos montes o nosso congresso. É nomeado embaixador em Washington DC. Tem como secretário Pablo Ortega, funcionário público que acaba amigo do ditador embora seja inimigo do regime. Quando eclode a guerrilha comunista em Sacramento, Gabiliodoro fica do lado do regime e Pablo Ortega, o burguês intelectual esquerdista, assume posição contrária. Um camaleão do poder; outro, idealista anti-ditatorial. A ditadura comunista é o único fato datado do livro; todos os outros são vistos a todo momento na política das republiquetas. Um exemplo clássico foi a ode que Veja fez a Antônio Carlos Magalhães quando da sua morte - o maior dos camaleões do poder, derrubado por matérias da mesma Veja. Nojento? Sim, e também político.

Retrato do Artista quando Jovem, de James Joyce, foi o primeiro livro que li com experiências linguísticas bem ousadas. Isso que o livro foi concebido 69 anos antes do meu nascimento - comecei a lê-lo 86 anos depois. Também foi um dos livros que li na versão original, desta forma curti bem mais o experimentalismo de Joyce. Ele narra o início da vida de Stephen Dedalus, desde a sua primeira infância até a adolescência. A linguagem da narrativa evolui conforme a evolução do personagem, ou seja, o livro é infantil quando fala da infância de Dedalus, adolescente quando fala da sua adolescência. Genial. Durante muitos anos eu quis comprar a versão em português, mas a tradução de José Geraldo Vieira era um completo desastre. Este ano, ganhei o livro com nova tradução de presente da minha cunhada, Júlia. É definitivamente uma obra para guardar às novas gerações.

Por fim, O Xangô de Baker Street, de Jô Soares. Falem o que quiserem, mas este livro é muito engraçado. Aliás, Jô é um mestre do humor brasileiro, que faz muita falta em tempos de Cassetas e Tons Cavalcantes. Bem que poderia retomar um pouco da sua maestria ao invés de encher o nosso saco com entrevistas modorrentas, mas se até Mel Brooks largou o humor, por que não ele? A história, vocês conhecem: Sherlock Holmes visita o Brasil para solucionar o caso de um violino Stradivarius desaparecido. No Brasil da realeza e do século XIX, os ingleses levam um choque cultural daqueles. Este livro também me marcou por outro fato: foi a primeira vez que vi meu pai chorar de rir, a ponto de perder o fôlego. Isso aconteceu quando ele lia a cena em que o empolado assistente Watson encarna uma pomba-gira.

Em respeito à minha memória, nunca vi o filme. Mas li o livro duas vezes - a última leitura data de cinco anos. Tenho que recuperá-lo para colocar na estante nova que temos em casa.

 

Sem nenhuma pretensão, passo a tarefa de descrever as cinco leituras mais marcantes para a Renata, a Cecília, a Emily, o Rodrigo e o Igor Natusch.

July 20, 2007

oportunismo

ontem, a seleção de vôlei feminino perdeu para Cuba, num jogo equilibradíssimo.

hoje, os jornais estampam “fiasco”, “fracasso”, “assim não dá”, “entrega o ouro”, enfim.

mesma reação aconteceu em 2004, quando o Brasil perdeu um inacreditável jogo contra a Rússia. Desperdiçou 7 match-points. A editoria de esportes de Zero Hora foi implacável: “As meninas amarelaram”, na manchete da contracapa.

Manchetes de um irritante e nojento oportunismo.

Pergunto a vocês, que acompanham a imprensa futebolística brasileira: quantos jogos de vôlei feminino ocupam as manchetes dos jornais, a não ser os decisivos em olimpíadas e afins? quantos comentaristas sabem quem são e onde jogam as atletas brasileiras? alguém conhece o padrão de jogo da seleção de vôlei feminino? alguém sabe se as gurias estavam suficientemente preparadas para vencer as suas principais rivais?

ninguém sabe.

logo, se não sabem, não têm o direito de crucificar.

são idiotas completos os editores de esporte que descem a lenha na seleção prateada do vôlei, se passam o ano inteiro sem dar a mínima para a mesma. Eu não conhecia nenhum dos nomes, sei pouco de vôlei, e aqui afirmo como leigo: se seleções muito melhores como as de Virna, Ana Moser e Fernanda Venturini capitulavam diante das cubanas, uma seleção pouco experiente como esta corria muitos riscos de ter igual destino.

diante do oportunismo chauvinista da cobertura espetaculosa de ZH, só me resta recorrer à internet e ficar com lições tais qual a de Paulo César Vasconcellos, um comentarista de futebol bem mais humilde e coerente.

um trecho:

A Seleção Brasileira feminina de vôlei tem um elenco de primeira e, por favor, não busquem no mais do que clichê linguajar do futebol explicações para a derrota do Brasil.
É bom deixar bem claro que as mulheres do vôlei não amarelaram; não foram incompetentes e tampouco jogam apenas quando a partida não tem tanta importância ou o adversário é muito fraco.

July 18, 2007

apocalipse

Filed under: tribuna popular

eu não preciso dizer nada, diante dos fatos que nos levam a crer que estamos diante do apocalipse aéreo nacional.

ontem, pensei seriamente em atentado terrorista. Ainda mais pelo incêndio no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, três horas antes - fato completamente abafado diante da tragédia maior. Depois, um pouco melhor informado, comecei a pensar que a hipótese do acidente era a única possível. Os especialistas que apareceram na TV pareciam bem claros: o avião derrapou numa pista onde aconteceram aquaplanagens durante aquela mesma semana; ninguém tomou providências; o tal do grooving (frisos na pista colocados para facilitar a drenagem) não foi instalado nas reformas; um outro aeroplano da BRA quase causou a mesma tragédia meses antes; o piloto tentou dar um cavalo de pau, depois decolar, e a merda foi feita.

ainda assim, tudo me parece muito estranho.

como um piloto experiente poderia tentar decolar, sendo que era evidente que o motor não tinha força para isso? desespero, simplesmente? qual a diferença entre todas as outras derrapagens que aconteceram em Congonhas, em comparação com esta? por que nenhuma delas provocou tragédia?

não consigo descartar a hipótese de um miserável atentado terrorista, sem entrar de barbada nas teorias da conspiração que vão começar a partir de agora. A caixa-preta do avião vai ajudar muito - vai dar para saber, por exemplo, qual foi a real atitude do piloto na pista do Congonhas.

sobre as questões conjunturais que envolvem isso, um ótimo resumo está aqui, no blog Gabinete Dentário, de Alexandre Rodrigues.

o mais fácil nesse momento é culpar o governo, mas me parece que, descartada a hipótese de atentado, o efeito da bola de neve seja evidente.

a Infraero não deixou de colocar os frisos na pista por acaso, ou por mera incompetência. Me parece muito evidente que a colocação dos frisos causaria uma interdição que poderia ser longa, na pista de Congonhas. Isso agravaria ainda mais o apagão aéreo - imagina se a Infraero correria o risco de aumentar o seu desgaste com o governo e a população? Dado isto, liberou a pista assim mesmo, deixando para fazer essa reforma essencial mais tarde. Aconteceram derrapagens antes e nada de mais sério se deu.

Foi a pior escolha possível, como podemos ver.

Para encerrar, uma grande sacada de Cristóvão Feil, no Diário Gauche:

Depois dessa tragédia lamentável com o avião da TAM, quem pode pendurar as chuteiras eleitorais para todo o sempre é a ministra Marta Relaxa-e-Goza Suplicy.

Aquele avião caiu na cabeça da ex-sexóloga da TV Globo, foi o seu 11 de setembro eleitoral.

July 16, 2007

metáforas

Filed under: gaveta de papéis

tu mora em um apartamento no qual te sente bem, a vizinhança é tranquila, cuidar dele não dá muito trabalho e ela é perfeita para as tuas necessidades atuais, no custo e no benefício.

só que tu sabe que nunca vai conseguir comprar esse apartamento. O teu contrato vence em nove meses e tu tem uma enorme chance de ficar sem ter onde morar antes da formatura.

surge uma oportunidade. Um apartamento mais caro, vai sobrar bem menos grana no fim do mês. É mais longe, a Morgana terá de ser cuidada por alguém até as 22h.

o problema é que eu adoro essa zona, tenho uma enorme satisfação só em saber que o condomínio tem as coisas que eu necessito. Além do mais, existe uma chance de comprar o AP dentro de um ano - o que não acontece no outro.

no meu lugar, o que tu faria?

ficaria em casa, procurando uma proposta melhor, ou aproveitaria essa difícil oportunidade?

July 14, 2007

apupos

Filed under: salada de frutas

absurdas as vaias na abertura do Pan do Rio de Janeiro.

não que eu seja a favor de gastar 3,6 bilhões em um evento esportivo com tantas necessidades básicas proeminentes no nosso país. Porém, se eu sou contra o evento, o que diabos vou fazer lá, na festa de abertura? Ou faço uma manifestação de protesto, como existiu do lado de fora do estádio, ou não compareço.

achei uma tremenda falta de educação e respeito vaiar a delegação argentina e a delegação norte-americana. Fiquei sabendo que um deles ironizou o Brasil, escrevendo “Bem-Vindos ao Congo”. Não tenho nada contra o Congo - de repente até alguns de meus ancestrais vieram de lá - e não vejo isso como uma justificativa. Os Estados Unidos foram construídos pisando fundo as botas sobre a América Latina e hoje trazem, com Bush, o que há de pior do imperialismo. Mas o que vai adiantar uma meia dúzia de vaias numa festa esportiva? Bush vai se sensibilizar e tirar as patas do Iraque?

piores ainda as vaias à delegação argentina e ao presidente Lula. A pretensa “rivalidade” que temos com a Argentina não justifica uma manifestação deste sentido e o presidente, bem, é o nosso chefe de Estado. Ao vaiar, o povo do Rio de Janeiro que estava lá presente apenas demonstrou que não tem o menor respeito quanto às instituições ou à importância dos eventos. Lula pode ter todos os seus defeitos, mas é quem representa o nosso país no exterior e foi um governante ELEITO pela maioria da população por DUAS VEZES. São contra ele? Vão para as ruas e façam a revolução. Demonstrar ignorância não é a melhor forma de agir.

em tempo: os editoriais da ZH não citaram absolutamente nada a respeito na edição de sábado. David Coimbra pegou pesado, afirmando que o país que vaiou Lula é dos “brancos e bem-nascidos”. Não concordo nem com a omissão, nem com o exagero de David. Acho que a falta de educação demonstrada transcende questões de classe e etnia.

July 13, 2007

hoje é o dia mundial do rock

Filed under: extra! extra!


aproveitem!

July 10, 2007

ratos e famílias

semana passada fomos expulsos de casa por um rato.

ou um camundongo grande, como diria a faxineira que passou lá em casa. Tirava eu o lixo na segunda-feira passada à noite quando o meliante passou por trás de mim. Renata viu e saiu gritando. Ela tem pânico de ratos. Pânico é uma coisa bem mais séria do que vocês podem pensar, a pessoa fica completamente fora de si. Diante daquela crise, chamei a mãe dela, com o objetivo de levar Renata e Morgana para a sua casa enquanto eu resolvia o problema. Descobri que havia um buraco de fossa, daquelas fossas de tanque com um cano no meio, aberto na área de serviço. Tinha uma tampinha de plástico e dois furos, ridículo. Abri o buraco e, sem muitas idéias nem coisas para tapar, coloquei dois sacos de lixo pretos.

nesse meio tempo, liguei para a mãe. “Que que eu faço?” “Pega uma garrafa pet, bota um pedaço de queijo dentro. O rato vai entrar na garrafa. Daí tu fecha a tampa e depois bota fora”. A idéia parecia genial, até eu ver o bicho ao vivo. Ele parecia grande. Do tamanho da minha mão fechada, mais ou menos, bem preto e horrível - como são todos os ratos de esgoto. Nunca aquele bicho entraria na garrafa de Guaraná Antarctica com queijo que estava na área de serviço. Liguei de novo pra mãe. “Tu tem uma ratoeira?” Onze horas da noite era meio impossível levar uma ratoeira do Sarandi até em casa. Até por que ratos não caem así no más em ratoeiras, nem em garrafas pet.

aturdido, saí de casa. Buscava qualquer coisa que pudesse solucionar o problema. Entrei numa loja AM-PM que ficava perto de casa. Evidentemente, não achei nenhum veneno de ratos. No caminho, fui abordado por um casal de mendigos.

- ô moço, tem uma ajuda?

não tinha quase nada nos bolsos, mas não consegui evitar. O rapaz aproveitou meu momento de fragilidade e resolveu insistir.

- não sou ladrão não, moço. Não vou robar nada. Não sou desse tipo. Só quero uma ajuda mesmo, pra comer, moço. Pode ser até vale transporte.

tentei dialogar, disse que não tinha nada nos bolsos, dei duas fichinhas que estavam no bolso esquerdo, era só. O dinheiro estava em casa. Ele insistia. Sabia que poderia tirar qualquer coisa de um pai temporão apavorado com roedores.

- tu tem pelo menos mais umas quatro fichinhas?

não ia conseguir me livrar mesmo. Até pensei em chamar os dois para caçar o rato em troca de comida.

- tá, eu tenho mais quatro fichas. Me espera aqui. Se quiser, pode me esperar na frente de casa.
- isso aí, agora senti firmeza em ti.

fui em casa, busquei as fichinhas. Dei duas para ele e duas para a moça.

- pô, valeu irmão, pode crer. Sabia que tu era de fé. Valeu mesmo!

voltei à peleja. O que diabos fazer? Olhei as armas que estavam diante de mim - a coisa mais pesada que eu poderia manejar, além dos talheres, era uma vassoura. Mesmo o martelo que tinha era pequeno demais para ferir um vertebrado. Uma vassoura jamais faria mal àquele bicho. Desisti. Liguei para a Mara Lane dizendo que passaria a noite lá junto com as quatro.

Não quis chamar táxi, fui caçar um na rua. Em direção à Visconde do Rio Branco, pela Cristóvão, vi dois homens parados na esquina, um deles vindo à mim. Era só o que faltava ser assaltado. Comecei a voltar e abordei um Voyage. O táxi parou. “Garibaldi, por favor, depois da Independência”. Vamos nessa.

No caminho, fui conversando com o taxista sobre o rato. De repente ele poderia me ajudar a encontrar alguma solução. “Bah, o único lugar onde tu pode achar um veneno é no Nacional 24 horas”. Hum. Fiquei pensando no assunto. “Tá pensando no super, né? Vamos lá.”

“Vamos”, aceitei a proposta.

No caminho, ele foi conversando comigo. Sobre os cinco celulares dele - andava com dois, um Nokia e um Motorola V3. Sobre a maravilha que eles eram, dava para baixar vídeos e até ver jogos de futebol na tela do V3. Me mostrou um vídeo onde uma mulher se esgoelava gritando contra um caminhoneiro grudado na traseira do seu carro. Uma mulher liga para ele. Está na sala de espera do motel, aguardando a sua chegada. “Já vou, meu bem”. Chegamos no Nacional.

- É isso aí então, valeu.
- Que nada, vou lá contigo. Nem que seja pra comprar uma coca litrão. Vamo matar esse bicho.

Entramos os dois no Nacional 24horas à procura de veneno de rato. Não tinha, claro: veneno assim só se vende em ferragem, pelo alto grau de periculosidade. Mata Baratas? Não vai fazer nem cócegas. Jimo gás? Tá louco, nunca mais volto pra casa. É, não vai dar. Ele liga para a ex-mulher dele, que mora ali perto, para ver se ela tem uma solução. Eu ligo para o Ressel, que nem está em casa. Nada. Vamos voltar.

nota importante: Kalil, dindo da Morgana, ficou extremamente magoado com o fato de até a ex-mulher do taxista saber do caso e ele não - sendo que Kalil é nosso vizinho. Acho que ele ainda não me perdoou, mas eu tento me justificar. Não queria chamar ninguém, como é meu costume, queria resolver o problema sozinho.

Fui para a casa da Mara Lane, onde Renata parecia bem mais calma por estar num lugar seguro. Bebi um pouco e fui dormir. Meio frustrado por não conseguir resolver o problema.

Na manhã seguinte, Mara Lane havia pesquisado muito sobre ratos, chegando à conclusão que ratoeiras adesivas e repelentes ultrasônicos eram o ideal. Fomos atrás. Em ferragens, nem sabiam o que era um repelente ultrasônico. Só tinham ri-do-rato, ratoeiras de metal e olhe lá. “Mas onde eu acho uma coisa assim, mais sofisticada” “Em lojas de agropecuária”. Me mandei pro Centro, entrei na Zimmer e naquela outra que fica na praça Rui Barbosa. Comprei um repelente para “pombos, formigas, ratos, morcegos e pássaros em geral”, vários venenos, entre eles um que “atrai” as pestes pelo cheiro, feito com cereais intoxicados. Comprei também duas ratoeiras adesivas. Vamos à luta.

Instalei as armadilhas todas, abri o buraco (que havia tampado com um baú) e fui trabalhar.

À noite, tive a impressão que o filhote de belzebu havia mexido no veneno. Não pude confirmar. Fui jantar uma comida muy buena na casa da Lane, massa ao pesto e frango a passarinho. Flor de especial.

Na manhã seguinte, comprei mais duas ratoeiras adesivas. O circo estava montado na cozinha de casa. No mesmo dia, Renata me manda um email sobre os coisa-ruim. Descrevo dois trechos:

“O paladar é capaz de detectar porções extremamente pequenas de um composto em meio aos alimentos, fazendo com que eles evitem série de produtos que são usados como raticidas. Comparado ao homem é como se pudéssemos perceber o sabor de uma colherada de sal que foi dissolvida em uma piscina cheia de água.”

“Os ratos podem penetrar em qualquer abertura, para isto basta que consigam passar a cabeça, são exímios escaladores e se equilibram com extrema facilidade em superfícies muito pequenas e finas, como por exemplo um fio elétrico. Podem nadar distâncias de até 800 m, na superfície ou submersos, podendo nadar em um cano de esgoto e entrar em uma residência através de um vaso sanitário, fato comum de ocorrer.”

nada animador.

voltei para a casa e naquela noite - quarta para quinta - fiquei acordado até as 4 da manhã esperando o mefisto passar pela cozinha. Nada. Nem sombra dele. Segundo os especialistas, esses seres infelizes só aparecem à noite. Cheguei à conclusão que o maldito não estava mais em casa.

“Tá, então vamos chamar uma faxineira para limpar tudo, só para ter certeza” - diz a Renata.

Meu chefe, Ilgo, me recomendou uma moça que trabalha com ele. Liguei para ela e combinamos: sexta, 8h. Beleza.

Tinham umas roupas na máquina, desde segunda, que a Renata me pediu para lavar novamente. Liguei a máquina, deixei a faxineira- Eneida -trabalhando e fui comprar um tampão de metal para o buraco.

Ao voltar:
- “Nem sabe o que aconteceu. A máquina tava entupida e vazou água por tudo!”
Olhei o registro. Tudo ok. Nada parecia alterado. Os canos, nada. O problema estava justamente na fossa de tanque que estava aberta.

Comecei a retirar os sacos plásticos. Vi um rabo. RÁ! Estava ali o filho da puta. Morto.

Antes de tirar o cadáver, liguei para as duas dizendo que tinha achado o corpo do bandido. Enquanto isso a faxineira, com muito mais senso prático, pegava luvas descartáveis e exumava o filho do Cão. Tampado o rombo com metal, essa batalha teve um final feliz.

É claro que, se uma rolha inesperada cai no chão da cozinha, nós dois gritamos e saímos correndo. Continuamos paranóicos, mas faz parte.






















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