oportunismo
ontem, a seleção de vôlei feminino perdeu para Cuba, num jogo equilibradíssimo.
hoje, os jornais estampam “fiasco”, “fracasso”, “assim não dá”, “entrega o ouro”, enfim.
mesma reação aconteceu em 2004, quando o Brasil perdeu um inacreditável jogo contra a Rússia. Desperdiçou 7 match-points. A editoria de esportes de Zero Hora foi implacável: “As meninas amarelaram”, na manchete da contracapa.
Manchetes de um irritante e nojento oportunismo.
Pergunto a vocês, que acompanham a imprensa futebolística brasileira: quantos jogos de vôlei feminino ocupam as manchetes dos jornais, a não ser os decisivos em olimpíadas e afins? quantos comentaristas sabem quem são e onde jogam as atletas brasileiras? alguém conhece o padrão de jogo da seleção de vôlei feminino? alguém sabe se as gurias estavam suficientemente preparadas para vencer as suas principais rivais?
ninguém sabe.
logo, se não sabem, não têm o direito de crucificar.
são idiotas completos os editores de esporte que descem a lenha na seleção prateada do vôlei, se passam o ano inteiro sem dar a mínima para a mesma. Eu não conhecia nenhum dos nomes, sei pouco de vôlei, e aqui afirmo como leigo: se seleções muito melhores como as de Virna, Ana Moser e Fernanda Venturini capitulavam diante das cubanas, uma seleção pouco experiente como esta corria muitos riscos de ter igual destino.
diante do oportunismo chauvinista da cobertura espetaculosa de ZH, só me resta recorrer à internet e ficar com lições tais qual a de Paulo César Vasconcellos, um comentarista de futebol bem mais humilde e coerente.
um trecho:
A Seleção Brasileira feminina de vôlei tem um elenco de primeira e, por favor, não busquem no mais do que clichê linguajar do futebol explicações para a derrota do Brasil.
É bom deixar bem claro que as mulheres do vôlei não amarelaram; não foram incompetentes e tampouco jogam apenas quando a partida não tem tanta importância ou o adversário é muito fraco.
