to the chaos and back

July 25, 2007

futebol no Pan

Sidney Garambone escreveu no seu blog um texto maravilhoso, que resume tudo o que eu penso acerca das lições que o futebol têm a aprender com os jogos Pan-Americanos. Tem como base a eliminação da ridícula seleção sub-17 para o lamentável Equador na disputa de futebol masculino.

Paguei e andei para o futebol eliminado

Aliás, não é de hoje que não dou pelota para o futebol em competições olímpicas ou pan-americanas. A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do calendário. Tão fascinante é este hábito mundial de correr atrás da bola e chutá-la dentro de um retângulo. Mas também não é de hoje que o Brasil não consegue bons resultados. Culminando agora com a eliminação do Pan do Rio, no Maracanã cheio, para o Equador. Parece mais um casamento arranjado, de noivos que não se amam.

Há alguns anos que a CBF faz careta para o espírito olímpico. Talvez pelos fracassos freqüentes, descontando aí os anos em que os países comunistas levavam vantagem, ou por uma incompreensão da festa universal que empacota os jogos, já que a Seleção acaba sendo mais uma e não a estrela principal. Pouca gente andava comentando a campanha do futebol masculino no Pan. Um ou outro corintiano vibrava com o bom desempenho de Lulinha. Mas o Brasil todo estava mais preocupado com as goleadas e a alegria de Marta e suas amigas no futebol feminino.

Não à toa. Basta conversar com a torcida na Arena Olímpica, no Parque Aquático, Velódromo, RioCentro e quadra da praia. A relação com os atletas é totalmente diferente. O tal orgulho e amor à mãe pátria, tão cobrado da Seleção Brasileira pré-Copa América. O fastio com jogadores que trocam de clube como trocam de celular. O espanto com salários assustadoramente altos dos craques exportados para o futebol europeu. Tudo isso é potencializado ao ver um novo astro como Thiago Pereira pegando o microfone no último dia da natação para agradecer o povo presente e o povo na TV. Ou o diálogo honesto travado entre Diego Hipólito e a massa que vaiava os adversários. O ginasta deu bronca e foi respeitado.

É bom todos os jogadores de futebol ficarem de olho no Pan. E aprender com reações como a da judoca Danielle Zangrando, incrédula, chorando e vibrando no pódio. Ou com a fibra de Diogo Silva no Tae Kwon Do. Ainda é possível misturar romantismo com profissionalismo. Basta não pensar só em dinheiro. Pois os teóricos mais recentes do capitalismo defendem em livros o lucro máximo. Tudo bem, ele estão no papel deles. Entretanto, que tal trocar lucro máximo por lucro ético, que seria um lucro suficiente para felicidade e ambição de todos, sem devastar antigas relações de trabalho e históricas conquistas sociais.

1 Comment »

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  1. Embora não tenha nada a ver com o esporte, é oportuno falar. Uma coisa já se sabe sobra a queda do avião da Tam: o culpado é o lucro. Aviões rodam sem as condições perfeitas, pistas são utilizadas sem as condições perfeitas, o mercado cresce sem que haja estrutura para tanto, mas ninguém quer parar de voar. Erros de toda parte, mas a motivação é a mesma: o dinheiro.

    Comment by Prestes — July 27, 2007 @ 1:58 pm

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