to the chaos and back

August 29, 2007

a arte do avental

afora a Morgana, a melhor novidade da vida a dois é: eu gosto de cozinhar.

 imaginava isso antes, quando me aventurava às vezes na cozinha da mãe. Preferia lasanhas e capeletis ao forno, mas também gostava de bifes com molho curry. Nunca foi uma necessidade, entretanto. Agora, é. Ainda mais que, morando finalmente perto da civilização, tenho a comodidade de sair da faculdade e almoçar em casa. E além dessa comodidade, também existe a Morgana - impossível não ter um tempo livre no dia sem muita vontade de apertar suas bochechas.

 só não boto uma foto dela aqui por que senão ninguém vai ler o resto. Enfim.

ainda não sou lá muito criativo nas lides culinárias. Mas sou muito metido. Sempre tive o hábito de temperar MUITO a minha comida, o que tenho controlado mais por que a Renata não é muito de comidas fortes. Meus experimentos com as coisas de casa, portanto, têm sido mais controlados. Dia desses, numa massa à bolonhesa, misturei no molho de tomate (além do molho e da carne, claro): cebola, alho, caldo de bacon, chimichurri, salsa e se não me engano, um pouco de pimentão. Aí experimentei não fritar o guisado, como sempre fiz, mas sim cozinhá-lo: logo depois de colocar a carne na panela, acrescentei água. Ficou muito bom.

Ontem, tínhamos alguns steaks de frango e hambúrgueres congelados. Cheguei louco de fome e queria algo rápido, como aquilo, para comer. Sugeri para a Rê, que se ofereceu para fazer o arroz, meio incrementado, só para acompanhar. Só que cozinhar também me mata um pouco da fome, então me ofereci. O arroz tinha cebola e alho (bem fritos), pimentão e alcaparras. Ficou excelente.

Vejam que eu me abstenho da modéstia nesse post. Algum sentido faz: sempre fui muito depreciativo quanto à minha própria comida, agora estou criando confiança diante do fogão. 

o que Mino diz

Filed under: tribuna popular

sobre a pesquisa citada no post "A Veja se supera", Mino Carta diz o seguinte:

"A acuidade da pesquisa é, no mínimo, discutível. Resta verificar até que ponto os analfabetos entenderam as perguntas e os letrados se esmeraram na hipocrisia. Enfim, queijo de Parma sobre o macarrão: o cidadão branco é mais inteligente, honesto e educado do que o negro e o pardo. O negro é mais malandro, o pardo o menos preguiçoso, mas tem acentuada tendência para o crime.

O livro de Almeida é sintoma da gravidade do momento. Pretende desvendar as dimensões da crise moral. Consegue, porém, provar, em primeiro lugar, a crise mental. Stanislaw Ponte Preta, o inesquecível criador e organizador do Festival de Besteiras que Assola o País na Última Hora dos anos 50 e 60, sofreria por excesso de trabalho, sobretudo pela dificuldade de separar material sob medida para seu Febeapá de outro destinado a testes de Q.I. quando não a análises médicas."

mais aqui

de volta à lide da escrevência

Filed under: salada de frutas

quem acompanha meus blogs sabe que em determinados momentos, eu simplesmente me canso de escrever e paro por longos períodos.

 isso não é bom, eu sei. O Ungaretti, entre tantas lições, ensinou que a periodicidade é fundamental no jornalismo, até mesmo nos blogs. Só que nessas fases de reclusão, eu paro diante da ferramenta de edição do blog e penso: "puxa, será que não tenho nada mais importante para fazer?"

 quase sempre tenho e vou fazer.

existem também as fases nas quais eu prefiro ler do que digitar. Nesses casos, gosto de perder tempo diante do computador para ler sobre tudo, até sobre quais são os clubes de futebol de Paraná, cidade onde está a Emily.

e nestas fases introspectivas, também costumo comentar muito nos meus blogs favoritos. Isso não quer dizer nos blogs de amigos, ou da Renata. Desde que a Julia escreveu sobre a diferença entre falar pouco para muitas pessoas, e muito para poucas pessoas, eu procuro tecer meus comentários ao vivo mesmo.

enfim. Três posts num dia só, para tirar um pouco do atraso. 

August 20, 2007

a Veja se supera

Filed under: salada de frutas

uma das matérias mais calhordas que eu já li está na Revista Veja deste mês. O título é "como pensam os brasileiros", e o texto de abertura tem uma das mais perigosas tentativas de criminalização das classes mais baixas brasileiras.

um trecho: Elite é muito mais do que sinônimo de "rico". Como registram os dicionários, é uma palavra de origem francesa que significa "o que há de melhor numa sociedade ou grupo". Dela fazem parte profissionais liberais, cientistas, atletas, empresários, políticos (não todos, infelizmente). Só uma nação que conta com uma elite com iniciativa, energia criadora, conhecimento avançado e valores democráticos tem chance de desenvolver-se.

A matéria tem uma intenção claríssima: mostrar que a elite brasileira (classes mais altas e pessoas com educação superior) é melhor que a ralé e que o Brasil só vai para a frente se ninguém der ouvidos ao que a ralé pensa. A base do texto é um livro de Alberto Carlos Almeida, "A Cabeça do Brasileiro". O problema é o seguinte: ninguém ouve o que a ralé pensa, há centenas de anos, e mesmo assim a corrupção, a violência, a discriminação (defeitos sociais que a Veja atribui ao pensamento da ralé) persistem! Será que isto acontece porque o povo manda no país?

Esta reportagem é muito perigosa. Primeiro porque usa a bandeira de contradição ao maniqueísmo para professar mais maniqueísmo - agora invertido, da elite contra o povo. Segundo porque, deliberadamente, não responde a perguntas simples. Algumas delas:

- quem pode garantir que a "elite" proposta no texto não MENTE em favor do "politicamente correto"?

- ninguém pensou que a opinião dos mais pobres é negativa justamente por que eles não tem o que queriam trabalhando honestamente, e por isso acham que só a desonestidade pode torná-los mais ricos?

- qual é a solução para ter uma elite que faça o Brasil se tornar "uma nação moderna" até 2025? Tirar todo o poder do povo? Amordaçar os analfabetos? Escravizar os pobres?

O ímpeto golpista de certos setores da sociedade está se tornando cada vez mais perigoso.






















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