to the chaos and back

December 28, 2007

a Veja e os ateus profetas

Filed under: tribuna popular

Gosto de ler a Veja por que ela sempre me surpreende.

Como bem disse a Márcia, no seu blog, a questão matriz da revista é que ela faz "jornalismo de tese", o que a professora descreve como não sendo jornalismo de fato. Só que nesta semana, fiquei surpreso com a matéria de capa - "A Fé no Terceiro Milênio" - que fala sobre os conflitos entre os adeptos da religião teísta e da religião ateísta. A revista, como todos sabemos, tem compromisso firmado com o cristianismo. O autor André Petry, ao final da primeira matéria, dá uma espécie de "lição de moral" dispensável. Mesmo assim, a matéria guarda bastante espaço para o contraditório, o que nunca acontece quando a discussão é política.

 Chamou a minha atenção a entrevista de Sam Harris, uma das pessoas que mais ganha dinheiro no mundo divulgando a religião ateísta. Harris dá a entender, sem meias palavras, que o mundo seria muito melhor sem mentiras, e que a religião é baseada nelas. Não resta dúvida, a partir disto, que Harris é um profeta tentando levar a sua crença ateísta como a melhor possível para um mundo mais feliz. "Falando honestamente, esse é o único fundamento sobre o qual podemos erguer uma civilização verdadeiramente global", afirma o filósofo ao final da entrevista. O autor de "Carta a uma nação cristã" pretende ter uma missão civilizatória ao tentar assassinar Deus.

Tudo bem, Harris quer criar um mundo sem mentiras. Acredito eu, portanto, que Harris também quer abolir a política, portanto. Gostaria muito de saber como o profeta pensa um mundo sem a política. Talvez, as decisões fossem baseadas apenas e tão somente no método científico, o totem mais significativo da religião ateísta. Em um mundo puramente baseado no método científico, não haveria qualquer dúvida acerca do aborto do sétimo filho de uma mãe solteira e sifilítica - mesmo que posteriormente ele viesse a se tornar Ludwig van Beethoven.

Outra coisa que chamou atenção é o fato dos países europeus apresentarem o maior número de adeptos da religião ateísta - inclusive, apenas 30% dos franceses são crentes. Curiosamente, os intelectuais franceses são, até o presente momento, aqueles que mais subverteram o método científico, através da crença forte no relativismo e nas teorias horizontais. Talvez a principal divindade ateísta não tenha tantos adeptos por lá.

Dado interessante este: 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos não aceitam a idéia de um Deus. Dá para imaginar metade destes como agnósticos - não se preocupam com isto - e a outra metade, como adeptos da crença ateísta. É completamente justo, no momento em que, uma vez crente em Deus, muitas vezes o cientista perde a moral diante dos adeptos da religião supracitada.

E por último, a pesquisa encomendada. Veja constatou que a maior parte dos brasileiros não votaria em adeptos da religião ateísta. A pesquisa é ruim - as alternativas eram "sim", "depende da pessoa", "não" e "não sei", diante das perguntas "você votaria em um negro/homossexual/ateu/em uma mulher". Eu responderia "depende da pessoa" em todos - votaria no Paim, mas não no Collares, embora ambos sejam negros - e nem de longe isso parece um "não". Ainda assim, 59% dos brasileiros não confiam em um governante ateu. O que me causou espécie, porém, foi que 12% dos brasileiros também não votariam jamais em uma mulher para governar o país, o que demonstra um significativo atraso em relação a preconceitos.

Preconceitos nunca são saudáveis, mesmo contra os adeptos da religião ateísta. 

December 21, 2007

como se constrói uma repercussão

Filed under: salada de frutas

tá, eu admito: estou dando de ombros para a campanha da RBS sobre violência no trânsito. Não que ela não seja louvável, claro que é. E não existe hora melhor para isto. A torrente de bens simbólicos midiáticos na cabeça das pessoas deu certo em tantas outras situações, de repente dá certo neste caso também.

Agora, este trecho do Informe Especial é fantástico:

"Paz no trânsito

Amigo do Informe Especial que todos os dias circula pelo bairro Bom Fim, em Porto Alegre, conta que quase sempre tem que desviar dos carros para não ser atropelado em cruzamentos. Mas ontem, diz ele, dois carros pararam na faixa para que ele cruzasse a rua.

Ele acredita que já é resultado da campanha Violência no trânsito: Isso tem que ter fim!"

Que maravilha é ser dono de uma empresa de mídia. Eu faço a campanha; eu divulgo; e eu digo se dá certo ou não.

Quando crescer quero ser um deles. 

 

 

December 20, 2007

Putin e Chávez

Filed under: tribuna popular

pois bem, os "ditadores bufões" continuam a ocupar espaços neste blog.

 vejam que Vladimir Putin, por exemplo, é o presidente democraticamente eleito da Rússia, e está usando de um subterfúgio legal para permanecer no poder. Ele seria o primeiro ministro do próximo presidente. Não vai levar esta estratégia a nenhum referendo. Mesmo a eleição de Putin como primeiro ministro não passaria pela democracia direta, pois o premier é eleito pelo parlamento.

 Vladimir Putin é presidente da Rússia há sete anos. O seu mandato é salpicado de problemas com a liberdade de imprensa. Dois jornalistas de oposição morreram nos últimos tempos e Putin foi acusado de conspirar pelo assassinato dos profissionais. Putin também é um dos responsáveis pelo genocídio checheno. Ele também costuma nacionalizar os bens naturais - petróleo - e tem a intenção de manter um controle mais rígido sobre os meios de comunicação.

Vladimir Putin foi eleito pela revista Time como personalidade do ano de 2007, por ter colocado a Rússia novamente no "mapa-múndi", com a modernização do Estado conforme os valores ocidentais. A economia está crescendo (10% no PIB) e a inflação está estagnada.

 É evidente que uma personalidade do ano, assim eleita pela revista Time, jamais será acusada de ditadora, caudilha, tirana, bufona ou qualquer um desses adjetivos.

Os fatos descritos anteriormente comprovam que Putin é um pleno democrata - ao contrário de Hugo Chávez, este "perfeito idiota latino-americano", conforme os ensinamentos da gloriosa Veja. Veja também declara Rússia como um dos "super heróis" cuja missão é salvar o capitalismo. Em nenhum momento o viés democrático de Vlad Putin é contestado na matéria da semana passada.

Para Chávez ser um democrata, uma personalidade do ano, só falta promover um genocídio contra um povo da Venezuela (índios, talvez?), conspirar a favor dos assassinatos de jornalistas, utilizar de estratégias menos democráticas para se perpetuar e, claro, não brigar tanto contra os interesses do grande capital.

Não sei se preciso dizer isto, mas a cobertura da imprensa gaúcha sobre os fatos relativos a Putin tem sido meramente informativa. Até agora, nenhuma foto subjetiva, nenhuma reportagem especial, nenhum adjetivo. Afinal, estamos falando de uma personalidade do ano. É preciso respeito. 

December 11, 2007

la plata no es problema, es solución

tem um dado na coluna do Hiltor Mombach que me impressionou:

O Conselho do Grêmio discute e vota no dia 18 pedido de suplementação e o orçamento para 2008.
O ano que se encerra deve ser comemorado com foguete e champanha: nunca se faturou tanto.
Algumas receitas: TV, R$ 18 milhões; venda de direitos federativos de jogadores, R$ 50 milhões; publicidade, R$ 8,2 milhões; lojas/franquia, R$ 3,3 milhões; e sócios (em todas as categorias), R$ 17,7 milhões.
De uma receita projetada para R$ 62 milhões, o clube arrecadou R$ 114. De uma despesa projetada para R$ 56 milhões, houve um desembolso de R$ 76. Sobra de caixa: R$ 38 milhões. Este dinheiro, da venda de Lucas, Carlos Eduardo e parte de Anderson, ainda não entrou.

Vejam bem: o Grêmio arrecadou 114 milhões de reais em 2007.

O Internacional, campeão da América e do Mundo, arrecadou no ano em que conquistou estes títulos, 109 milhões de reais. 

Tá certo, o grosso da grana tricolor ainda não chegou por problemas com o fisco. Porém, isso mostra uma tendência avassaladora para o futebol brasileiro - e por que não, latino-americano. Vender jogadores rende mais do que ganhar títulos. 

O Grêmio, como todos sabemos, ganhou apenas um deficitário campeonato gaúcho em 2006. Chegou à final da Libertadores, o que deve ter rendido uma boa grana, pois o clube ganha metade do que ganha o campeão. O Mundial da FIFA, entretanto, é o torneio mais rentável de todos, rendendo 4 milhões de dólares ao campeão.

No entanto, o Internacional em 2006 não vendeu nenhum jogador por altas somas. Bolívar, Tinga, Jorge Wagner e Rafael Sobis, somados, renderam menos da metade de um Alexandre Pato, vendido por 20 milhões de dólares para o Milan. As vendas mais rentáveis, de Sobis e Bolívar, renderam somadas 7 milhões de euros. O volante Lucas, sozinho, foi vendido por 8.

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, para recuperar financeiramente o clube, a diretoria do São Paulo resolveu vender apressadamente todos os grandes jogadores que surgiam. Assim foram embora Denílson - o maior negócio da história do futebol nacional - Kaká, Cléber, Serginho, Luís Fabiano, entre outros. Isso rendeu severas críticas da torcida, que não via mais o clube disputar grandes títulos. Em 2005, o São Paulo foi campeão mundial e depois foi bicampeão brasileiro. Com um clube altamente estruturado e receitas fabulosas, girando em torno de 122 milhões de reais em arrecadação. Mesmo o Internacional conseguiu uma guinada histórica na sua administração após as vendas de Nilmar e Daniel Carvalho, de acordo com a idéia de que "é preciso vender um grande jogador por ano", nas palavras de Fernando Carvalho.

Talvez um dos caminhos seja este: ganhar muito dinheiro com a venda de jogadores; reestruturar o clube; e depois, partir em busca de grandes títulos. 

o capacete firme do contraditório

Filed under: salada de frutas

bem, chargistas trabalham com imagens. Logo, a melhor forma de explicar a deplorável demissão de Santiago, Kayser e Moa do Jornal do Comércio é abordando o que os seus amigos chargistas fizeram sobre o episódio.

 

a clava forte da censura

Filed under: extra! extra!

Quando encaminhei esse projeto para o JC imaginei que a gente poderia levar o jornal, pelo menos no setor chargístico, a ser uma coisa como foi a Gazeta Mercantil no seu todo, um jornal dos negócios e das empresas, mas que sempre deu, com correção exemplar, até notícias e matérias que iam contra o empresariado. Imaginava charges dignas e originais, nada mais. Nunca imaginei fazermos a revolução lá dentro.

E nunca nenhum de nós tentou nada que sequer cheirasse à charge panfletária ou engajada. Buscamos temas novos que não fossem aquelas bobagens, como desenhar o congresso em forma de pizza ou ficar chovendo no molhado como aquelas charges de Renan versus boazuda pelada da PlayBoy, por exemplo. Eu todos os dias olhava o Charge on Line com os seus chavões cansados, para saber o que não deveria fazer. Se a gente ficasse, espertamente, só nesses chavões, como as charges do Diário Gaúcho, a gente se eternizava lá.

É preciso dizer que nós fomos muito pacientes com eles. Passamos todo o governo Rigotto com uma censura prévia de sequer falar do governador. Depois se repetiu com a Yeda, quando já ficou implícito que não se devia falar de governadora. Falar de juizes já não podia há 3 anos: o editor dizia que estávamos fazendo "campanha".

 Acontece que topamos com duas enormes rochas: um dono de jornal que recém chegou do setor de vendas de patentes e torneiras e um editor amedrontado e incapaz de explicar minimamente ao chefão que o bom de um jornal é ter um pouco de contraditório, até para vender melhor. Nos últimos dias o editor já havia ficado em pânico com a carta de um leitor claramente desequilibrado que argumentava que "dogmas conservadores não podiam ser discutidos".

Eu já havia passado por situação exatamente igual, quando fiz uma tentativa com o Estado de São Paulo na década de 90. Para uma publicação tão monolítica e conservadora, era incompatível a mínima irreverência que se tentou fazer. Teria que repetir agora para o editor do JC a mesma coisa que eu disse para o do Estadão quando saí: humor tem que ter veneno, se não pode veneno então tem que ter pimenta, se não pode pimenta então tem que ter sal, se não pode nem sal então vira comida para doente.

Mas acho também que é preciso reforçar publicamente o discurso de que jornais são uma concessão moral (não concessão legal/governamental, como as TVs) que a sociedade dá aos empresários, com o acordo de que eles podem ganhar o seu dinheirinho, mas tem que dar em troca notícia e verdade. É um negócio, mas um negócio diferente do de vender torneiras e vasos sanitários, tem que vender a verdade, e a verdade é uma busca que se faz com o questionamento, onde se enquadra a charge, que, com a sua irreverência, nada mais faz do que questionar. (Santiago)

 

*Neltair Abreu escreveu este texto sobre a sua demissão do Jornal do Comércio. 

Estamos lá, naquela cela

Filed under: salada de frutas

A corregedora da Polícia do Pará, senhora Liane Martins, encarregada de apurar a responsabilidade dos policiais pelo encarceramento de uma adolescente com mais de 20 homens, declarou não ver razões para demissões. Segundo ela, os policiais foram "induzidos a erro", porque a adolescente não revelou sua idade. Na entrevista (FSP, 6/12), a corregedora repetiu o chefe de Polícia, afirmando que a jovem tem "algum problema psíquico". Pois bem, a governadora do Pará poderia começar a limpeza em suas polícias, demitindo a corregedora e todos os policiais que trabalharam naquela delegacia e que nada fizeram para evitar a tragédia. Seriam atos importantes para a proteção do povo do Pará e em favor das polícias, instituições que não merecem ser freqüentadas por zeladores de estupro. O Poder Judiciário e o Ministério Público deveriam adotar a mesma medida, livrando-se, respectivamente, da juíza que permitiu a situação abusiva e dos promotores que teriam visitado a carceragem sem tomar qualquer providência.

Até aqui, estamos todos de acordo (está bem, quase todos…). O problema é que o caso é significativo demais para que a análise pare onde deveria começar. Via de regra, quando solicitamos com muita ênfase a punição dos responsáveis por algo que afronta nosso senso moral, o fazemos também para protestar nossa inocência. Assim, dizemos para nós mesmos: "Não somos responsáveis por isso". O mal, para variar, é aquilo que está fora de nós, ou, para lembrar Sartre, o "inferno são os outros". Em março deste ano, relatório preparado pela Pastoral Carcerária Nacional, pelo Centro de Justiça e Direito Internacional e pelo Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas foi apresentado à OEA, denunciando casos de abusos sexuais contra presas em cinco Estados brasileiros; inclusive, por agentes penitenciários. Você sabia disto? Aposto que não. Ocorre que quase toda a mídia brasileira simplesmente ignorou o relatório e nenhum veículo se deu ao trabalho de checar as denúncias. Aliás, vamos combinar, notícias sobre violação dos direitos humanos em presídios não são, exatamente, matéria de interesse no Brasil. Já o rebaixamento do Corinthians ou o último capítulo da novela das oito…

Agora imagine que não estivéssemos tratando do estupro de uma adolescente, mas da curra de um jovem de 18 anos, preso em uma galeria com outros 200 homens, no Presídio Central, em Porto Alegre. O fato despertaria a indignação de quantos brasileiros? Teríamos manchetes? Alguém estaria disposto a investigá-lo seriamente e a demitir os responsáveis? Pois bem, é sobre esta indiferença que o caso de Abaetetuba se tornou possível. Estamos naquela cela no Pará, então, de alguma forma. Todos nós.

PS - Em minha última crônica, lembrei que o nazista Goering considerava a idéia dos direitos humanos coisa de "afeminados". Alguns dias depois, o deputado Marcos Abrahão afirmou que o inspetor da ONU, Philip Alston, relator para o tema de execuções sumárias em diligências no RJ, só podia ser uma "bicha daquelas bem arrependidas". O deputado foi apontado como suspeito de ter sido mandante do assassinato do deputado Valdeci Paiva de Jesus, cuja morte permitiu que ele assumisse uma vaga na AL/RJ. Ex-policial militar, este cidadão teve 37 mil votos e avalia que, na próxima eleição, terá 100 mil eleitores. É bem possível.

 

*Marcos Rolim, ex-deputado federal pelo PT, jornalista, e uma figura exemplar na luta pelos direitos humanos. 

December 4, 2007

ditadura? (parte 3)

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isso aqui resume tudo.

ditadura? (parte 2)

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o AI-5 não foi submetido a referendo. Nem a Constituição de Weimar. Muito menos a Carta de Mussolini. Aliás, mesmo em governos democráticos a constituição não é submetida à vontade direta do povo. Na Venezuela de Chávez, isso aconteceu, o governo perdeu e até agora nenhum golpe foi feito. Perdendo a eleição, Chávez demonstrou que a democracia é de verdade na Venezuela.

claro que este não é o discurso que vemos na mídia, especialmente a gaúcha. A Zero Hora, como eu antecipei, não trouxe nenhuma foto da manifestação pró-Chávez na capa do jornal. O enviado especial Klécio Santos colocou apenas uma frase no menu da direita, comparando a "espontânea" manifestação pelo NÃO com a "uniformizada" manifestação pelo SIM.

não tenho o hábito de recortar jornais e colocar aqui no blog, como faz o autor do blog Ponto de Vista. As manchetes só foram reservadas para dizer que o povo não queria a reforma chavista. O jornal de hoje traz uma cara triste do presidente venezuelano. Os jornais do final de semana diziam que o chavismo estava sendo "julgado". Até agora, Hugo não foi deposto por ninguém.

Tem um editorial na segunda-feira falando dos perigos do "populismo". E na Rádio Gaúcha, a campanha é um tanto mais aberta. Lasier Martins fala com Klécio no Gaúcha Repórter: "Mas que vingança será que Chávez está preparando? Por que ele é um CAUDILHO, um TIRANO". Túlio Milman repete as palavras ofensivas no Chamada Geral. Até o Wianey Carlet, no seu blog, deu o seu chutinho nas canelas do "ditador bufão".

Pois, depois que o "ditador bufão" deu uma aula de democracia ao perder as eleições e não chamar o Exército ou as milícias vermelhas, aceitando a derrota como todo bom democrata, podemos ver que a carga de subjetividade já ultrapassou esse nível. É objetividade mesmo. É uma campanha declarada e aberta contra o chavismo.

O cartunista Santiago publicou recentemente uma charge com um caminhão chamado "mídia" levando um monte de toras para dentro de uma garagem, com o objetivo de "descer o pau no Chávez". Ao lado, um cãozinho pergunta "onde foi parar o bom e velho contraditório?". Santiago foi demitido do Jornal do Comércio por não compactuar com a "linha editorial" do jornal. Não há espaço para o contraditório. No caso do presidente venezuelano, temos uma ditadura de opiniões sem direito a referendo.

Por curiosidade, hoje à tarde, liguei para a Zero Hora. Falei com o editor de Mundo e fiz apenas uma pergunta: "A Zero Hora é um jornal anti-chavista?"

A resposta: "Não, a Zero Hora é um jornal ISENTO, não temos compromisso com nenhum dos lados neste caso, nem há motivo para isso." 

Resta saber se acreditam nele ou em mim. 

December 3, 2007

o destino inapelável

  

Terminava o ano de 2005 e o campeonato brasileiro estava nas mãos da justiça. Afinal, valia a tabela com ou sem os jogos anulados? A tabela com as anulações dava a taça ao Corinthians; a outra, poderia dar o campeonato para o Inter. Liminares por todos os lados, CBF impedida de declarar campeão, pressões políticas, enfim.

    Fernando Carvalho, esgotado por tudo isso, manda retirar as liminares e processos. Resolve entregar a solução nas mãos do destino.

    A torcida protesta. Mesmo com as ameaças de cair para a Segunda Divisão e não ir à Libertadores, muitos torcedores não esmorecem. “Dane-se o mundo, eu quero a justiça! Eu quero o Inter campeão brasileiro!”

    Não deu. O Corinthians foi declarado campeão. A torcida colorada, tomada de raiva, percebeu que poderia fazer com que nada, nenhuma liminar, nenhum tribunal, nenhum juiz, tirasse a Libertadores do Beira-Rio. Criou um elo indestrutível com o time. Saiu campeã.

    Termina o ano de 2007 e a participação do Inter no campeonato está sob pressão. O último jogo pode decidir a sorte do Corinthians. Afinal, entregar ou ganhar o jogo? A torcida começou a fazer campanha para o Inter tirar o pé e vingar 2005. Ao mesmo tempo, são todos profissionais que podem mais adiante assinar bons contratos com o Corinthians.

    Vitório Píffero não se submete a nada disso. Bota o time titular no avião para Goiás. Assim como Carvalho, entrega a solução nas mãos do destino.

    O Inter faz um gol. Alguns protestos de torcedores fanáticos são ouvidos. Clemer defende dois pênaltis. Dá para ouvir mais alguns resmungos.

    Só que o destino, quando resolve empunhar a clava da justiça, é inapelável.

    Assim foi em 2005 e assim foi em 2007.

    O Corinthians pode e deve se reerguer, como todo time grande.

    Ao Inter, não há nada melhor do que o orgulho de atuar com dignidade, não importa a situação nem o adversário – como é dever de todo time grande.






















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