to the chaos and back

December 4, 2007

ditadura? (parte 2)

Filed under: tribuna popular

o AI-5 não foi submetido a referendo. Nem a Constituição de Weimar. Muito menos a Carta de Mussolini. Aliás, mesmo em governos democráticos a constituição não é submetida à vontade direta do povo. Na Venezuela de Chávez, isso aconteceu, o governo perdeu e até agora nenhum golpe foi feito. Perdendo a eleição, Chávez demonstrou que a democracia é de verdade na Venezuela.

claro que este não é o discurso que vemos na mídia, especialmente a gaúcha. A Zero Hora, como eu antecipei, não trouxe nenhuma foto da manifestação pró-Chávez na capa do jornal. O enviado especial Klécio Santos colocou apenas uma frase no menu da direita, comparando a "espontânea" manifestação pelo NÃO com a "uniformizada" manifestação pelo SIM.

não tenho o hábito de recortar jornais e colocar aqui no blog, como faz o autor do blog Ponto de Vista. As manchetes só foram reservadas para dizer que o povo não queria a reforma chavista. O jornal de hoje traz uma cara triste do presidente venezuelano. Os jornais do final de semana diziam que o chavismo estava sendo "julgado". Até agora, Hugo não foi deposto por ninguém.

Tem um editorial na segunda-feira falando dos perigos do "populismo". E na Rádio Gaúcha, a campanha é um tanto mais aberta. Lasier Martins fala com Klécio no Gaúcha Repórter: "Mas que vingança será que Chávez está preparando? Por que ele é um CAUDILHO, um TIRANO". Túlio Milman repete as palavras ofensivas no Chamada Geral. Até o Wianey Carlet, no seu blog, deu o seu chutinho nas canelas do "ditador bufão".

Pois, depois que o "ditador bufão" deu uma aula de democracia ao perder as eleições e não chamar o Exército ou as milícias vermelhas, aceitando a derrota como todo bom democrata, podemos ver que a carga de subjetividade já ultrapassou esse nível. É objetividade mesmo. É uma campanha declarada e aberta contra o chavismo.

O cartunista Santiago publicou recentemente uma charge com um caminhão chamado "mídia" levando um monte de toras para dentro de uma garagem, com o objetivo de "descer o pau no Chávez". Ao lado, um cãozinho pergunta "onde foi parar o bom e velho contraditório?". Santiago foi demitido do Jornal do Comércio por não compactuar com a "linha editorial" do jornal. Não há espaço para o contraditório. No caso do presidente venezuelano, temos uma ditadura de opiniões sem direito a referendo.

Por curiosidade, hoje à tarde, liguei para a Zero Hora. Falei com o editor de Mundo e fiz apenas uma pergunta: "A Zero Hora é um jornal anti-chavista?"

A resposta: "Não, a Zero Hora é um jornal ISENTO, não temos compromisso com nenhum dos lados neste caso, nem há motivo para isso." 

Resta saber se acreditam nele ou em mim. 

1 Comment »

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  1. vou publicar no meu blogue!

    Comment by Prestes — December 11, 2007 @ 9:30 pm

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