ditadura? (parte 2)
o AI-5 não foi submetido a referendo. Nem a Constituição de Weimar. Muito menos a Carta de Mussolini. Aliás, mesmo em governos democráticos a constituição não é submetida à vontade direta do povo. Na Venezuela de Chávez, isso aconteceu, o governo perdeu e até agora nenhum golpe foi feito. Perdendo a eleição, Chávez demonstrou que a democracia é de verdade na Venezuela.
claro que este não é o discurso que vemos na mídia, especialmente a gaúcha. A Zero Hora, como eu antecipei, não trouxe nenhuma foto da manifestação pró-Chávez na capa do jornal. O enviado especial Klécio Santos colocou apenas uma frase no menu da direita, comparando a "espontânea" manifestação pelo NÃO com a "uniformizada" manifestação pelo SIM.
não tenho o hábito de recortar jornais e colocar aqui no blog, como faz o autor do blog Ponto de Vista. As manchetes só foram reservadas para dizer que o povo não queria a reforma chavista. O jornal de hoje traz uma cara triste do presidente venezuelano. Os jornais do final de semana diziam que o chavismo estava sendo "julgado". Até agora, Hugo não foi deposto por ninguém.
Tem um editorial na segunda-feira falando dos perigos do "populismo". E na Rádio Gaúcha, a campanha é um tanto mais aberta. Lasier Martins fala com Klécio no Gaúcha Repórter: "Mas que vingança será que Chávez está preparando? Por que ele é um CAUDILHO, um TIRANO". Túlio Milman repete as palavras ofensivas no Chamada Geral. Até o Wianey Carlet, no seu blog, deu o seu chutinho nas canelas do "ditador bufão".
Pois, depois que o "ditador bufão" deu uma aula de democracia ao perder as eleições e não chamar o Exército ou as milícias vermelhas, aceitando a derrota como todo bom democrata, podemos ver que a carga de subjetividade já ultrapassou esse nível. É objetividade mesmo. É uma campanha declarada e aberta contra o chavismo.
O cartunista Santiago publicou recentemente uma charge com um caminhão chamado "mídia" levando um monte de toras para dentro de uma garagem, com o objetivo de "descer o pau no Chávez". Ao lado, um cãozinho pergunta "onde foi parar o bom e velho contraditório?". Santiago foi demitido do Jornal do Comércio por não compactuar com a "linha editorial" do jornal. Não há espaço para o contraditório. No caso do presidente venezuelano, temos uma ditadura de opiniões sem direito a referendo.
Por curiosidade, hoje à tarde, liguei para a Zero Hora. Falei com o editor de Mundo e fiz apenas uma pergunta: "A Zero Hora é um jornal anti-chavista?"
A resposta: "Não, a Zero Hora é um jornal ISENTO, não temos compromisso com nenhum dos lados neste caso, nem há motivo para isso."
Resta saber se acreditam nele ou em mim.

vou publicar no meu blogue!
Comment by Prestes — December 11, 2007 @ 9:30 pm