la plata no es problema, es solución
tem um dado na coluna do Hiltor Mombach que me impressionou:
O Conselho do Grêmio discute e vota no dia 18 pedido de suplementação e o orçamento para 2008.
O ano que se encerra deve ser comemorado com foguete e champanha: nunca se faturou tanto.
Algumas receitas: TV, R$ 18 milhões; venda de direitos federativos de jogadores, R$ 50 milhões; publicidade, R$ 8,2 milhões; lojas/franquia, R$ 3,3 milhões; e sócios (em todas as categorias), R$ 17,7 milhões.
De uma receita projetada para R$ 62 milhões, o clube arrecadou R$ 114. De uma despesa projetada para R$ 56 milhões, houve um desembolso de R$ 76. Sobra de caixa: R$ 38 milhões. Este dinheiro, da venda de Lucas, Carlos Eduardo e parte de Anderson, ainda não entrou.
Vejam bem: o Grêmio arrecadou 114 milhões de reais em 2007.
O Internacional, campeão da América e do Mundo, arrecadou no ano em que conquistou estes títulos, 109 milhões de reais.
Tá certo, o grosso da grana tricolor ainda não chegou por problemas com o fisco. Porém, isso mostra uma tendência avassaladora para o futebol brasileiro - e por que não, latino-americano. Vender jogadores rende mais do que ganhar títulos.
O Grêmio, como todos sabemos, ganhou apenas um deficitário campeonato gaúcho em 2006. Chegou à final da Libertadores, o que deve ter rendido uma boa grana, pois o clube ganha metade do que ganha o campeão. O Mundial da FIFA, entretanto, é o torneio mais rentável de todos, rendendo 4 milhões de dólares ao campeão.
No entanto, o Internacional em 2006 não vendeu nenhum jogador por altas somas. Bolívar, Tinga, Jorge Wagner e Rafael Sobis, somados, renderam menos da metade de um Alexandre Pato, vendido por 20 milhões de dólares para o Milan. As vendas mais rentáveis, de Sobis e Bolívar, renderam somadas 7 milhões de euros. O volante Lucas, sozinho, foi vendido por 8.
No final dos anos 90 e início dos anos 2000, para recuperar financeiramente o clube, a diretoria do São Paulo resolveu vender apressadamente todos os grandes jogadores que surgiam. Assim foram embora Denílson - o maior negócio da história do futebol nacional - Kaká, Cléber, Serginho, Luís Fabiano, entre outros. Isso rendeu severas críticas da torcida, que não via mais o clube disputar grandes títulos. Em 2005, o São Paulo foi campeão mundial e depois foi bicampeão brasileiro. Com um clube altamente estruturado e receitas fabulosas, girando em torno de 122 milhões de reais em arrecadação. Mesmo o Internacional conseguiu uma guinada histórica na sua administração após as vendas de Nilmar e Daniel Carvalho, de acordo com a idéia de que "é preciso vender um grande jogador por ano", nas palavras de Fernando Carvalho.
Talvez um dos caminhos seja este: ganhar muito dinheiro com a venda de jogadores; reestruturar o clube; e depois, partir em busca de grandes títulos.
