to the chaos and back

January 31, 2008

justiça racial no Brasil

almocei no Moinhos Shopping hoje. Pela pressa, pedi um hambúrguer da Petiskeira.

Na Petiskeira do local, eu contei oito negros trabalhando e umas quatro mulatas, suprema maioria em relação a brancos. Contando com o pessoal da limpeza e os funcionários de outros quiosques, uns quinze, vinte negros trabalhavam no local.

Suponho que na praça de alimentação do shopping caibam umas 300 pessoas sentadas, sem contar o espaço interno de locais como a Petiskeira. A lotação era quase completa, afinal, era horário de almoço de uma quinta-feira útil.

Apenas um negro comia na praça de alimentação.

Contando mulatos (até mesmo os desbotados, como eu), cinco ou seis.

Todos sabemos, entretanto, que racismo mesmo é a política de cotas. 

January 29, 2008

e as cotas, são inconstitucionais ou não?

Filed under: tribuna popular

este é um dos temas mais discutidos do momento. Acho que este artigo do jurista Fernando Trindade esclarece algumas coisas. trechos:

11. Note-se que esse dispositivo prevê dois níveis do princípio da igualdade. O primeiro deles, que abre o dispositivo, estabelece o direito à igualdade formal: Todos são iguais perante a lei (…). Já o segundo nível do princípio da igualdade contido no art. 5º da Lei Maior está na segunda parte do preceptivo e estabelece o direito à igualdade material. Assim, Todos são iguais perante a lei (…) garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito (…) à igualdade (…).

17. De outra parte, registre-se que, como Constituição analítica que é, a nossa Carta, para além dos princípios, previu, no seu texto, medidas de ação afirmativa. Nesse sentido, o seu art. 37, VIII, dispôs que a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de admissão dessas pessoas.

21. Por outro lado, é também a Professora CARMEM LÚCIA ANTUNES ROCHA quem recorda que o art. 170 do Estatuto Magno, no seu texto original, arrolava entre os princípios da ordem econômica o tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte (art. 170, IX), o que configura ação afirmativa em prol dessa espécie de empresa (Cf. CARMEM LÚCIA ANTUNES ROCHA, ob. cit., p. 95). 22. O pressuposto para essa desigualação parece-nos ser a convicção de que as empresas favorecidas devem ter proteção estatal para que não sejam inviabilizadas pelo princípio da livre concorrência, também albergado pela Constituição (art. 170, IV).

29. Por outro lado, a legislação eleitoral vem adotando medida de ação afirmativa em favor do sexo feminino. Nesse sentido, a Lei nº 9.100/95, que regulamentou as eleições municipais de 1996, estabeleceu, no § 3º do seu art. 11, que vinte por cento, no mínimo, das vagas de cada partido ou coligação deverão ser preenchidas por candidaturas de mulheres.

de acordo com o artigo de 1998, as cotas poderiam ser consideradas como constitucionais. acredito que a argumentação das entidades/movimentos/universidades anda errada nesse sentido. A UFPR alegou cumprimento do art. 207 da Constituição, que dispõe sobre a autonomia universitária, e perdeu. A UFSC alegará no mesmo sentido, a menos que a consultoria jurídica da universidade mude a opinião do reitor. Por outro lado, a argumentação dos movimentos negros têm sido patética, usando de chavões surrados como a ‘elite branca’ e afins, que tendem a ridicularizar a argumentação diante da opinião pública.

 

perguntas que devem ser consideradas:

- por que nenhum cidadão entrou com ação judicial de inconstitucionalidade no momento que foi lançado o edital?  Segundo bem me esclarece o Daniel, não é qualquer cidadão que pode entrar com ação direta de inconstitucionalidade. O artigo 103 da constituição descreve quem pode. 

- por que nenhum concurso público, até agora, foi anulado em virtude da ilegalidade das cotas? - por que o artigo 5º da Constituição não foi utilizado para embargar cotas para mulheres e deficientes físicos?

e por último: - quantos dos estudantes que protestaram contra as cotas ontem à tarde participaram dos debates no Conselho Universitário?

January 25, 2008

o público alvo está sendo atingido

Filed under: salada de frutas

Elite brasileira acredita mais na mídia

Da Redação

Vinte e cinco por cento da população brasileira com maior renda familiar têm mais confiança na mídia (64%) do que em empresas (61%), ongs (51%), instituições religiosas (48%) ou até mesmo em seu próprio governo. Os dados fazem parte do Estudo Anual de Confiança da Edelman, empresa de relações públicas. Segundo o levantamento, o Brasil é o terceiro país onde a imprensa tem maior índice de credibilidade, ficando atrás apenas do México (66%) e da Índia (65%).

A pesquisa ouviu 3.100 entrevistados entre 35 e 64 anos, com formação superior e renda familiar entre as 25% maiores de seus países. Considerado um estudo entre líderes de opinião, por parte da consultoria, a pesquisa abrangeu 18 países, como China, Irlanda, Rússia, Estados Unidos, Índia, França, Espanha e Brasil.

Concluiu-se que essa parte da população, em todo o mundo, possui muito interesse em assuntos relacionados à mídia, economia e política.

Os brasileiros recorrem mais aos jornais impressos (87%) e à TV (82%) como primeira fonte de informação. Em seguida, procuram as informações na internet (52%). Mas a maioria deles (41%) lê tanto a versão impressa quanto a versão online dos jornais – em outros países existe a preferência pela versão impressa.

Para procurar notícias das empresas, os brasileiros preferem ler artigos em revistas de negócios (81%), jornais (79%) e noticiários na TV (77%).

Ao acessar a internet, a primeira procura envolve notícias e depois pesquisas. No Brasil, 93% vão atrás de notícias, 85% fazem pesquisa e e-commerce empatou com mensagens instantâneas (79%).

A credibilidade nos blogs chamou a atenção. A Rússia foi o país que mais mostrou credibilidade, com 34%, seguida pela China (33%), Índia (29%) e Brasil (21%). Quando entram na internet, 46% dos brasileiros já lêem blogs.

informações do Comunique-se.

Quem se surpreendeu, levante a mão!

January 22, 2008

vai subir alguém

depois que o Inter foi eliminado da Copinha, perguntei o básico para os dois colorados que mais acompanharam as categorias inferiores nesta pré-temporada:

se Abel te dissesse: “eu quero cinco a seis atletas para o grupo”, tu mandaria quem?

Alexandre Perin: Tales (meia-atacante) , Válter (centroavante), Sandro (1º volante), Paulinho (2º volante) e Éderson (atacante)

Daniel Ricci Araújo: Paulinho, Sandro, Ederson e Valter.

referências:
- Válter, que mereceu uma coluna inteira de Daniel, é centroavante “bigorna”. Forte, trombador, chutador, cabeceador, bate nos zagueiros e eles caem. Foi a estrela colorada no torneio.

- Éderson, segundo Daniel e o Wianey Carlet, é atacante veloz, driblador e encardido.

- Sandro, segundo Perin, tem espírito de liderança, é alto e se impõe em campo. Fez falta no jogo decisivo.

- Paulinho, segundo Daniel, é volante de ótima marcação e muito boa saída.

- Tales é aquele meia driblador que todos conhecemos.

não vi nenhuma das partidas, apenas os melhores momentos. Gostei do goleiro Agenor (sou fã de goleiros debochados) e torço para Natan, que segundo meu irmão, é o melhor 1º homem do Beira-Rio.

nosso querido prefeitável

Filed under: tribuna popular

a costuma dar risadas quando eu começo a palpitar na política. Isso por que todos os meus palpites têm dado errado. Porém, acho que desta vez acertarei. Pelo menos dois nomes estão garantidos no segundo turno da disputa para prefeito de Porto Alegre este ano. Um deles será uma mulher (Manuela? Luciana? Maria do Rosário?) e o outro é Onyx Lorenzoni.

Onyx tem uma assessoria de imprensa muito competente, diga-se. Nos últimos anos ele apareceu forte como líder da oposição no Congresso e fez o seu nome no imaginário público. Depois, no limite da legislação eleitoral, veiculou cartazes e panfletos pela cidade com o seu rosto estampado ao lado do emblema dos “Democratas” (argh!). Agora, como quem não quer nada, vem plantando matérias aqui e ali. O objetivo é mostrar que Onyx está se preparando para assumir a prefeitura de Porto Alegre. Estudando com afinco, como se fosse um concurso público.

Aí ele aparece no programa do Lasier e, de passagem, avisa que está fazendo um curso para prefeito (!) na Alemanha. Para ver como é que se administram as cidades de Paris, Frankfurt, etc.

Sem muitas pretensões, ele aparece na coluna da Rosane de Oliveira do dia 14 com a seguinte citação:

“Enquanto descansa na Praia Brava, em Florianópolis, o deputado federal e candidato do DEM à prefeitura de Porto Alegre, Onyx Lorenzoni, aproveita para reler biografias de alguns de seus mestres em administração municipal.

Na semana passada, Onyx havia relido as trajetórias dos ex-prefeitos Rudolph Giuliani, de Nova York, e de Loureiro da Silva, de Porto Alegre.

Estava ainda na pilha de livros A Audácia da Esperança, do senador democrata e candidato à presidência dos EUA Barack Obama. “

A simpática fotinho mostra o não menos simpático deputado federal no seu momento de compenetrado estudo da obra de grandes prefeitos e futuros estadistas:

tomando um chimas, ainda, para provar que não esqueceu as origens, apesar de preferir o litoral de SC

daqui a alguns meses, na campanha eleitoral, muito vão dizer que Onyx é o único candidato que se “preparou” para assumir a prefeitura. Pelo menos nos debates ele vai parecer menos destemperado, diferente do deputado que ofendia pessoalmente adversários políticos em foros públicos de discussão.

resta saber se o povo da mui leal e valerosa acredita nisso.

January 21, 2008

túnel do tempo

Filed under: www

Adorei o meme passado pela Márcia. Ela disse que qualquer um pode fazer, então, lá vou eu:

O que você estava fazendo em…

1978:

Muito provavelmente eu era uma idéia impensável na cabeça dos meus pais, uma vez que eles estavam fazendo a minha irmã naquela época.

1983:

Eu já era uma idéia mais real. Minha irmã estava chegando no quarto ano de vida e muito provavelmente meus pais sentiam saudade do tempo em que ela era um bebê fofo. Além do mais, meu avô morrera um ano antes, e minha avó não estava nada bem – talvez um novo bebê fosse uma boa idéia.

1988:

Ainda impressionava as pessoas do colégio da minha mãe pelo fato de saber ler. Tentaram me colocar na escola, mas meus pais proibiram a idéia insana. Comecei a tentar andar de bicicleta – até hoje minhas tentativas são frustradas. Adorava Ducktales.e o Batman.

1993:

Achava ser uma pessoa grande, afinal, estava na terceira série. Acabou a minha paixão pela coleguinha da segunda série, que foi estudar de manhã. Adorava os jogos de vôlei da Seleção Brasileira e me lembro de vibrar como louco pela vitória na Liga Mundial. Fiquei feliz por que meu pai voltou a trabalhar. Acompanhava a mãe nos estudos para o concurso da prefeitura, ao lado de um rádio muito antigo da Semp Toshiba que me acompanharia depois.

1998:

A UFRGS entrou numa longa greve, que parou o colégio onde eu estudava. Ao mesmo tempo, meu pai se aposentou. Então, passávamos todas as tardes de junho comendo bolo, tomando leite puro e assistindo todos os 64 jogos da Copa do Mundo. Foi uma das melhores lembranças daquele ano. Também passei a usar um óculos mais bonito, parei de nadar e comecei a usar o computador pessoal. Era fanático por Legião Urbana.

2003:

Entrei na Fabico, fiz um curso de assessoria de imprensa no qual todos estranhavam os meus 17 anos, fugi de um teste no McDonalds, fui reprovado numa entrevista de emprego de uma videolocadora por que meu diretor preferido era Cameron Crowe. Ainda usava cabelo bem comprido. Era fanático por Led Zeppelin e começava a conhecer o rock progressivo.

passo o meme para TODO MUNDO da lista ao lado.

January 16, 2008

a tragédia de Felipe Klein

Filed under: extra! extra!

quem ainda não leu, não sabe o que está perdendo.

matéria de Renan Antunes de Oliveira, no jornal Já, vencedora do Prêmio Esso de Reportagem em 2004, sob apupos da mídia corporativa.

alguns trechos:

‘Eu não sou desse mundo’ era sua frase predileta. Felipe disse que se sentia assim para dona Lili, para Helena, seu grande amor, para Karen, sua última namorada, para Cristiano e Xande, dois tatuadores tão amigos que cada um segurou uma alça do caixão, e para Virgínia, uma amiga que foi ao enterro chorar com a família.

Não dá para saber quando foi que ele começou a se sentir desse jeito. A mãe contou que ‘cedo’ a família percebeu nele ‘alguma coisa diferente’. Por isso, ‘desde pequeno recebeu tratamento psicológico’. Nos dois últimos anos esteve ‘sob o controle de um psiquiatra’.

Os médicos diagnosticaram um mal que surge na adolescência. O ‘transtorno afetivo bipolar’, ou ‘psicose maníaco-depressiva’. Felipe vivia na gangorra entre depressão e euforia, quase sempre no lado da baixa. Era tratado com um coquetel de antidepressivos.

mais adiante:

Felipe chegou no edifício do pai e o esperou no saguão. Odacir apareceu pouco antes da seis, cambaleando. Caiu no portão. O zelador Gérson e o porteiro Tadeu tiveram que carregá-lo.

Os dois levaram Odacir para o elevador. Na curta viagem, Gérson notou que ele se contorceu de dor, provocada por um forte beliscão que Felipe lhe aplicara nas costas.

‘Eu disse para ele parar de judiar do doutor Odacir’, contou Gérson. Felipe rebateu: ‘Ele só nos faz passar vergonha’. A frase do rapaz com o rosto desfigurado soou estranha para o zelador: ‘Vinda de quem vinha, parecia piada, mas notei que ele estava muito nervoso e fiquei quieto’.

No apê, Felipe ordenou que os dois atirassem o pai no chão, mas Gérson não aceitou: ‘Mandei ele abrir a bicama da sala e o deixamos ali’.

O que aconteceu depois não teve testemunhas. Vizinhos ouviram pai e filho discutindo, gritos abafados por portas fechadas. Às 18h56, a queda.

e ainda:

Mais Helena: ‘Eu acho que é por isso que ele se matou. Ele queria ser o menos humano, mas ao mesmo tempo encarava todos os problemas. Se você encara, como é que vai sobreviver ? O suicida é aquele que não vê uma saída. E Felipe era assim’.

Sensacional. Vale cada letra.
A matéria está aqui.

January 12, 2008

‘tropa de elite’ na Serra

A "tropa de elite" da BM de Flores da Cunha perdeu um soldado, assassinado por um pai de família apavorado com a campana que três soldados faziam na sua casa. Um deles tentou invadir a sua residência, inclusive.

A "tropa de elite" da BM atendeu o clamor de boa parte da população, sedenta por sangue: torturou três suspeitos, entre eles um adolescente de 16 anos, violentado com um cabo de vassoura, dentro de sua própria casa.

A primeira grande matéria sobre isso saiu em ZH quando a Brigada Militar, atendendo um pedido do secretário de segurança do Estado, afastou do comando do BOE todos os policiais acusados de negligência e/ou envolvimento no caso, como dá para ver nesta matéria do dia 3 de janeiro. 

É necessário demonstrar a diferença entre a linha editorial de ZH e do jornal Pioneiro, dois veículos da RBS, neste caso. Enquanto ZH colocava títulos que diziam muito pouco, o Pioneiro foi bem mais ostensivo na mesma data. A matéria é a mesma, recheada de fontes da Brigada Militar.

Um fato curioso de observar é que o Jornal Pioneiro, do mesmo dia, confirma que o menor de idade foi mesmo torturado com o cabo de vassoura:


Agressão por parte de PMs
- É o inquérito mais complicado e demorado. Até ontem, quatro pessoas tinham sido ouvidas e outras três devem ser interrogadas hoje. O delegado Ives já tem em mãos a confirmação técnica de que o rapaz de 16 anos foi agredido com um cabo de vassoura introduzido no ânus. Outros laudos mostram que os outros envolvidos que denunciaram agressões pelos PMs têm escoriações leves."

 

 No entanto, nas edições subsequentes, Zero Hora coloca todos os fatos envolvendo tortura no condicional, demonstrando uma curiosa prudência, pois os fatos ainda não foram confirmados pela corregedoria da BM:

"Além das suspeitas de tortura" (04/01)

"As suspeitas de tortura supostamente praticada por PMs contra adolescentes, na Serra" (07/01 - nos dias anteriores, sábado e domingo, nenhuma matéria apareceu)

" Em Porto Alegre, no domingo, os cinco rapazes que teriam sido agredidos por PMs" (08/01)

Ao lado dessa matéria, tem uma entrevista efusiva do coronel Mendes alegando que a BM tem sim o direito de entrar na casa de bandidos e que "parece que estamos voltando ao tempo do Bisol". Comportamento previsível, mas não vamos fugir do tema.

No dia 8 de janeiro, cinco dias depois do afastamento e 13 dias depois da ocorrência, aparece em ZH a entrevista com o adolescente que foi empalado pelos brigadianos. O repórter é Adriano Duarte, do Pioneiro. No Pioneiro, a entrevista vai para a capa, com a cartola "Vítima de tortura fala". Em ZH, a entrevista foi para o lado inferior direito da primeira página de polícia. O destaque é a entrevista do Coronel Mendes e a cartola "Bandido não tem endereço, tem esconderijo. O endereço do bandido é o presídio." Não estranharia o sobrenome "Nascimento" após o nome do coronel.

No mesmo dia, porém, acontece o fato que muda toda a cobertura. Não é uma notícia nova, nem uma atitude diferente da BM. É a coluna de Paulo Sant’Ana.

Uma coluna inteira falando sobre o crime cometido pela polícia. "Foi um dos piores crimes cometidos por agentes da autoridade policial em todos os tempos no RS", bradou o dono da última página. No mesmo dia, Lasier Martins dedicou quase todo o programa ao fato de Flores da Cunha. Inclusive, entrevistou o advogado dos PMs, Alencar Dallagnol, que disse algumas coisas surrealistas, tais como "não existem provas de tortura", "os ferimentos no ânus podem ter acontecido por outro motivo".

Desde então, nenhum fato novo ocorreu, e ZH não noticiou coisa alguma. Porém, a mudança de postura no programa Gaúcha Repórter me deixou um pouco mais animado. Pelo menos mais um veículo da RBS tratou o crime da mesma forma que todos os outros crimes, não cometidos por policiais, foram tratados.

Adendos:

- justiça seja feita: fiquei sabendo do caso através do programa de Lasier Martins, Gaúcha Repórter, no dia 3 de janeiro. Ele entrevistou a mãe dos adolescentes torturados. Senhora simples, sem muita habilidade diante do microfone, mas que descreveu o horror com muita clareza. Foram quase 40 minutos de entrevista, e depois Lasier abriu o microfone para que algum brigadiano envolvido no caso fizesse a sua defesa. Ninguém o fez. Achei ótimo que a produção do programa tenha buscado exatamente quem foi testemunha do ocorrido, e não versões truncadas da corregedoria.

- o blog Ponto de Vista também abordou esse assunto aqui, com mais recortes de jornais e mais veemência.

as aventuras de tio Hugo na selva

não citei nenhuma linha sobre o quiproquó da liberação dos reféns farquianos pelo tio Hugo, através do pagamento de resgate e depois de alguns cafés com Marulanda. Se não entendeste nada, acompanhe aqui.

bom, como era esperado, a cobertura de mídia foi fraca quando Chávez resolveu resgatar os reféns, mas ostensiva quando a operação fracassou na primeira tentativa. ZH dedicou uma reportagem especial e o Correio do Povo colocou a derrota na sua capa. Colunistas comprometidos com a destra, tais qual Merval Pereira e Cláudio Humberto, vibraram.

não dá para reclamar, porém, de campanha anti-chavista nesse caso. Quando a operação obteve sucesso e Marulanda libertou dois reféns, ZH também dedicou as páginas 4 e 5 ao caso.  O Correio foi mais longe e colocou na capa uma foto do líder bolivariano (clique na imagem para ampliar).

 

Como o tio Hugo é mestre em criar fatos políticos, a TeleSur cobriu todo o resgate e a chegada das duas moças ao palácio de Miraflores, em Caracas. Também cobriu o discurso de Chávez, no qual ele declara que as FARC não são terroristas, muito menos o ELN.

Nem preciso dizer que a polêmica declaração teve ampla cobertura da mídia gaúcha.

O blog segue acompanhando o que falam do tio Hugo, sem esperar muita imparcialidade. A menos que a PDVSA comece a financiar alguns grupos de mídia por aí, o que não deve ser visto com surpresa - tio Hugo não tem o menor pudor em usar dinheiro público para criar fatos políticos a seu favor. 

o alcoolismo na mídia

já falei aqui que não sou de recortar jornais, esse trabalho fica muito melhor nos blogs de outros analistas da comunicação. No entanto, recorro à clipagem para ilustrar uma estranha incoerência presente em duas reportagens recentes de Zero Hora

na quinta-feira (10/01), baseada na campanha contra a violência no trânsito, o maior jornal do Rio Grande apresentou o exemplo negativo do pintor Leocir Núncio, que dirigia bêbado com três crianças como suas passageiras. Núncio era reincidente no delito. Foi entrevistado, apareceu a sua foto atrás das grades, saiu na capa o seu exemplo de imprudência, etc.

Clique nas imagens para aumentar

A princípio, nenhuma novidade. O homem foi pego em flagrante, ZH não infringiu nenhuma norma legal. 

Porém, no dia 18 de dezembro (23 dias antes), apareceu a seguinte reportagem:

 

Um brigadiano, com um 38 na cintura, fazia brincadeiras no centro da capital totalmente alcoolizado. Claro, não existe nenhuma campanha da RBS contra pessoas bêbadas que importunam a ordem pública, desde que elas não dirijam. Porém, Zero Hora resolveu ser um pouco mais ética naquela reportagem, com a seguinte frase ao final da matéria:

"ZH não identifica o militar por considerar o alcoolismo uma doença que deve ser tratada" (clique na imagem para confirmar)

Agora eu não entendi mais nada. Por que no caso do brigadiano, é uma doença, e no caso do pintor é um crime? Por que o pintor pode ser tratado como um pária da sociedade e o brigadiano não? Não sei, sinceramente, qual é a prática mais correta do jornal, entre preservar ou não a imagem dos doentes. De um lado, a necessidade do constrangimento público; do outro, mesmo que o pintor Núncio se recupere, não conseguirá apagar a sua imagem pública de irresponsável. São casos que podem gerar uma boa discussão.

Não dá para ser incoerente, porém. Se é uma doença, que seja doença para todos, não apenas para brigadianos. 






















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