os passos definitivos
Minha relação com os textos de David Coimbra é de amor e ódio. Gostava muito dele quando decidi escolher o jornalismo, mas me decepcionei com a mistura de futebol e futilidades durante a Copa de 98. Depois, fiquei ainda mais chateado quando descobri que ele inventava fatos para basear algumas teses – tem uma coluna sobre a Lei Pelé que é muito clara nisto. Nada contra o fato dele ser gremista, embora eu tenha uma certa resistência quanto a ele nunca admitir isso.
Preciso dizer, entretanto, que esta coluna foi uma das coisas mais geniais que eu li no periodismo da província nesta vida.
Melhor ainda foi a repercussão que o jornalista Emanuel Mattos deu no seu blog sobre o tema, sensível e contundente.
No texto, Emanuel diz que é amigo de David e que este tinha problemas em falar sobre o seu pai. Entendo perfeitamente, pois considero a coluna que ele escreveu muito dolorida. Parece que há algo engasgado, o grande escritor deixa transparecer isso nas suas linhas.
Agora que David é pai – inclusive, o Bernardo nasceu um ou dois meses depois da Morgana – ele provavelmente deitou o seu raciocínio nos motivos que levaram seu pai a abandoná-lo. Deve Ter questionado: que espécie de raciocínio absurdo faz um pai querer abandonar o seu filho? David chegou à conclusão da vergonha.
A mim também é um tema que impressiona. Abandonar, rejeitar, deixar um filho deve ser uma atitude muito terrível.
Acredito que para determinadas pessoas, a realidade é violenta demais. O alcoolismo, como qualquer vício – inclusive o vício do computador, mais recente – é uma tentativa de fuga desta realidade. O vício de sair da rotina, da vida mundana, e viver um mundo à parte. Quantos destes pais alcoolistas não decidiram abrir a primeira garrafa quando entraram numa loja e perceberam que não tinham dinheiro para comprar um presente para o filho? Quantos destes resolveram passar o dia inteiro no bar porque a dor de não achar comida em casa era insuportável? Quantos destes se sentiram pais incompetentes, omissos, desprezíveis, e por isso optaram pela válvula de escape de mais fácil acesso?
Isto também me impressiona porque vejo pessoas muito próximas, e muito variadas, entrando por este caminho. Pessoas muito bem sucedidas e pessoas que não têm onde morar. Gurizada que recém está começando tudo e gente bem mais velha, com a vida feita. A insatisfação diária, o descontentamento, é comum, os métodos de fuga também.
Não sei se vale a pena proibir, não sei se vale a pena conscientizar, não sei se o melhor não é trabalhar o tempo todo a auto-aceitação e ver as coisas sempre em perspectiva. Sei, porém, o que desejo para todo mundo neste próximo ano: que todo mundo perceba que a sua vida é ótima e seguindo neste caminho, ainda podemos fazer muito melhor. Tentando escapar da realidade podemos tomar decisões que nunca tomaríamos – e algumas delas podem ser irreversíveis.

Como editor e jornalista esportivo, o cara deixa a desejar mesmo. Mas não dá pra negar que é um baita escritor com uma puta sensibilidade.
Valeria mais como um colunista sem editoria, como essa coluna comprova. Uma pena que tenha se especializado em escrever sobre mulheres. É legal e tal, mas uma hora enche o saco.
As colunas, não as mulheres.
Comment by Luiz Carlos — January 4, 2008 @ 1:17 am