o alcoolismo na mídia
já falei aqui que não sou de recortar jornais, esse trabalho fica muito melhor nos blogs de outros analistas da comunicação. No entanto, recorro à clipagem para ilustrar uma estranha incoerência presente em duas reportagens recentes de Zero Hora
na quinta-feira (10/01), baseada na campanha contra a violência no trânsito, o maior jornal do Rio Grande apresentou o exemplo negativo do pintor Leocir Núncio, que dirigia bêbado com três crianças como suas passageiras. Núncio era reincidente no delito. Foi entrevistado, apareceu a sua foto atrás das grades, saiu na capa o seu exemplo de imprudência, etc.
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A princípio, nenhuma novidade. O homem foi pego em flagrante, ZH não infringiu nenhuma norma legal.
Porém, no dia 18 de dezembro (23 dias antes), apareceu a seguinte reportagem:
Um brigadiano, com um 38 na cintura, fazia brincadeiras no centro da capital totalmente alcoolizado. Claro, não existe nenhuma campanha da RBS contra pessoas bêbadas que importunam a ordem pública, desde que elas não dirijam. Porém, Zero Hora resolveu ser um pouco mais ética naquela reportagem, com a seguinte frase ao final da matéria:
"ZH não identifica o militar por considerar o alcoolismo uma doença que deve ser tratada" (clique na imagem para confirmar)
Agora eu não entendi mais nada. Por que no caso do brigadiano, é uma doença, e no caso do pintor é um crime? Por que o pintor pode ser tratado como um pária da sociedade e o brigadiano não? Não sei, sinceramente, qual é a prática mais correta do jornal, entre preservar ou não a imagem dos doentes. De um lado, a necessidade do constrangimento público; do outro, mesmo que o pintor Núncio se recupere, não conseguirá apagar a sua imagem pública de irresponsável. São casos que podem gerar uma boa discussão.
Não dá para ser incoerente, porém. Se é uma doença, que seja doença para todos, não apenas para brigadianos.
