to the chaos and back

January 31, 2008

justiça racial no Brasil

almocei no Moinhos Shopping hoje. Pela pressa, pedi um hambúrguer da Petiskeira.

Na Petiskeira do local, eu contei oito negros trabalhando e umas quatro mulatas, suprema maioria em relação a brancos. Contando com o pessoal da limpeza e os funcionários de outros quiosques, uns quinze, vinte negros trabalhavam no local.

Suponho que na praça de alimentação do shopping caibam umas 300 pessoas sentadas, sem contar o espaço interno de locais como a Petiskeira. A lotação era quase completa, afinal, era horário de almoço de uma quinta-feira útil.

Apenas um negro comia na praça de alimentação.

Contando mulatos (até mesmo os desbotados, como eu), cinco ou seis.

Todos sabemos, entretanto, que racismo mesmo é a política de cotas. 

4 Comments »

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  1. Bem observado e triste. Parabéns pelo rítmo do texo.

    Comment by Menezes — February 2, 2008 @ 5:05 am

  2. Não te entendi. Preconceituoso e excludente teu comentário. Desde quando trabalhar é motivo de diminuição de alguém? Se não dessem empregos para negros isso seria discriminação, não o contrário. Deus do céu, isso tá ficando ridículo, com estímulo á odio racial onde nunca teve. Vamos parar com esses recalques que vão levar o Brasil a imitar outros países nesse quesito.
    Negro não é melhor do que ninguém só por ser negro meu amigo. Trabalkhar no Shopping não diminue ninguém, só os recalcados e os que querem provocar odio.

    Comment by Mariana Rocha — February 4, 2008 @ 10:09 am

  3. Mari: em primeiro lugar, obrigado pela visita. Apareça sempre.

    Acho que não entendeste direito o propósito do texto. Não quero incitar o ódio racial nem acredito que ele exista. Também não estou dizendo que a Petiskeira está errada em contratar negros, muito pelo contrário.

    O meu objetivo é mostrar que a justiça racial não existe como pensam o Ali Kamel e outros. Negros não vão ao Moinhos Shopping por falta de dinheiro. É possível comer no lugar gastando menos de dez reais. No Sambódromo de Porto Alegre, onde a praça de alimentação tem alguns preços mais caros, a maioria dos frequentadores era de pele escura. Por quê?

    É uma questão cultural difícil de explicar. Eu considero que ações afirmativas têm o objetivo de acabar com isolamentos culturais dentro da sociedade. Neste sentido, a entrada do negro da universidade pode ser benéfica. Não vou analisar aqui as causas desse isolamento cultural por que não tenho base para isso. Sei que ele existe; e se existe, deve ser combatido.

    Também em nenhum momento disse que é indigno trabalhar no shopping ou que negros são melhores. Muito provavelmente um competente garçom da Petiskeira ganhe mais do que eu. Novamente repito: não é uma questão de dinheiro. Eu quero apenas refletir por que apenas um negro come na praça de alimentação do Moinhos Shopping na quinta-feira, uma vez que ninguém proíbe a entrada de negros. Se tiveres uma resposta, por favor, contribua ao debate.

    Obrigado pela visita.

    Comment by Luís Felipe — February 4, 2008 @ 9:29 pm

  4. “Não é uma questão de dinheiro. Eu quero apenas refletir por que apenas um negro come na praça de alimentação do Moinhos Shopping na quinta-feira “

    Pelo mesmo motivo que (segundo você) a maioria no sambódromo eram negros! Escolha e preferência, só isso. Não tem nada de racismo ou exclusão social nisso.

    O shopping, assim como o sambódromo, está aberto para todos, vai quem quer. Mesma situação das universidades, mais especificamente a UFRGS, todos têm o direito de fazer as mesmas provas, com as mesmas perguntas, critérios e concorrem as mesmas vagas, não consigo ver injustiça nisso, muito pelo contrário, mais justo impossível.

    E não me refiro só a cotas para negros, penso assim também para ‘deficiente’. Tenho um amigo dito ‘deficiente’ (perdeu a perna direita aos 9 anos) que já passou em 7 concursos públicos e não admite ser incluso na cota, o cara é um inteligente e quer concorrer como um candidato normal, perfeito!

    Na empresa que trabalho, qualquer funcionário que chegar a diretor receberá o mesmo salário, seja ele negro, branco, amarelo, judeu, argentino ou esquimó. A oportunidade está lá, basta qualificação e esforço de cada um.

    Esse ‘isolamento cultural’, assim dito por você, é normal e natural, a vida é assim! Minha esposa não gosta frutos do mar, porque ela iria a um restaurante que o serve? Eu odeio Jack Johnson, porque iria a um show dele? O que não posso fazer é analisar quem o faça, qual raça, religião, credo…não interessa, o que une essas pessoas é o gosto/preferência em comum.

    Mas isso tudo são pontos de vista e opiniões, e nada mais justo que cada um ter a sua!

    Comment by Beto — February 8, 2008 @ 12:57 pm

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