justiça racial no Brasil
almocei no Moinhos Shopping hoje. Pela pressa, pedi um hambúrguer da Petiskeira.
Na Petiskeira do local, eu contei oito negros trabalhando e umas quatro mulatas, suprema maioria em relação a brancos. Contando com o pessoal da limpeza e os funcionários de outros quiosques, uns quinze, vinte negros trabalhavam no local.
Suponho que na praça de alimentação do shopping caibam umas 300 pessoas sentadas, sem contar o espaço interno de locais como a Petiskeira. A lotação era quase completa, afinal, era horário de almoço de uma quinta-feira útil.
Apenas um negro comia na praça de alimentação.
Contando mulatos (até mesmo os desbotados, como eu), cinco ou seis.
Todos sabemos, entretanto, que racismo mesmo é a política de cotas.

Bem observado e triste. Parabéns pelo rítmo do texo.
Comment by Menezes — February 2, 2008 @ 5:05 am
Não te entendi. Preconceituoso e excludente teu comentário. Desde quando trabalhar é motivo de diminuição de alguém? Se não dessem empregos para negros isso seria discriminação, não o contrário. Deus do céu, isso tá ficando ridículo, com estímulo á odio racial onde nunca teve. Vamos parar com esses recalques que vão levar o Brasil a imitar outros países nesse quesito.
Negro não é melhor do que ninguém só por ser negro meu amigo. Trabalkhar no Shopping não diminue ninguém, só os recalcados e os que querem provocar odio.
Comment by Mariana Rocha — February 4, 2008 @ 10:09 am
Mari: em primeiro lugar, obrigado pela visita. Apareça sempre.
Acho que não entendeste direito o propósito do texto. Não quero incitar o ódio racial nem acredito que ele exista. Também não estou dizendo que a Petiskeira está errada em contratar negros, muito pelo contrário.
O meu objetivo é mostrar que a justiça racial não existe como pensam o Ali Kamel e outros. Negros não vão ao Moinhos Shopping por falta de dinheiro. É possível comer no lugar gastando menos de dez reais. No Sambódromo de Porto Alegre, onde a praça de alimentação tem alguns preços mais caros, a maioria dos frequentadores era de pele escura. Por quê?
É uma questão cultural difícil de explicar. Eu considero que ações afirmativas têm o objetivo de acabar com isolamentos culturais dentro da sociedade. Neste sentido, a entrada do negro da universidade pode ser benéfica. Não vou analisar aqui as causas desse isolamento cultural por que não tenho base para isso. Sei que ele existe; e se existe, deve ser combatido.
Também em nenhum momento disse que é indigno trabalhar no shopping ou que negros são melhores. Muito provavelmente um competente garçom da Petiskeira ganhe mais do que eu. Novamente repito: não é uma questão de dinheiro. Eu quero apenas refletir por que apenas um negro come na praça de alimentação do Moinhos Shopping na quinta-feira, uma vez que ninguém proíbe a entrada de negros. Se tiveres uma resposta, por favor, contribua ao debate.
Obrigado pela visita.
Comment by Luís Felipe — February 4, 2008 @ 9:29 pm
“Não é uma questão de dinheiro. Eu quero apenas refletir por que apenas um negro come na praça de alimentação do Moinhos Shopping na quinta-feira “
Pelo mesmo motivo que (segundo você) a maioria no sambódromo eram negros! Escolha e preferência, só isso. Não tem nada de racismo ou exclusão social nisso.
O shopping, assim como o sambódromo, está aberto para todos, vai quem quer. Mesma situação das universidades, mais especificamente a UFRGS, todos têm o direito de fazer as mesmas provas, com as mesmas perguntas, critérios e concorrem as mesmas vagas, não consigo ver injustiça nisso, muito pelo contrário, mais justo impossível.
E não me refiro só a cotas para negros, penso assim também para ‘deficiente’. Tenho um amigo dito ‘deficiente’ (perdeu a perna direita aos 9 anos) que já passou em 7 concursos públicos e não admite ser incluso na cota, o cara é um inteligente e quer concorrer como um candidato normal, perfeito!
Na empresa que trabalho, qualquer funcionário que chegar a diretor receberá o mesmo salário, seja ele negro, branco, amarelo, judeu, argentino ou esquimó. A oportunidade está lá, basta qualificação e esforço de cada um.
Esse ‘isolamento cultural’, assim dito por você, é normal e natural, a vida é assim! Minha esposa não gosta frutos do mar, porque ela iria a um restaurante que o serve? Eu odeio Jack Johnson, porque iria a um show dele? O que não posso fazer é analisar quem o faça, qual raça, religião, credo…não interessa, o que une essas pessoas é o gosto/preferência em comum.
Mas isso tudo são pontos de vista e opiniões, e nada mais justo que cada um ter a sua!
Comment by Beto — February 8, 2008 @ 12:57 pm