epitáfio tardio
meu pai, quando leu este poema, ficou muito emocionado. Recortou e leu a quem fosse próximo. Saiu numa coluna do Paulo Sant’ana, em 2001. Ele queria que fosse o seu epitáfio.
muito em breve, ele perdeu o poema e também a saúde, descoberto um câncer. Sobreviveu por pouco mais de dois anos. Quando da sua morte, procurei o poema, mas não encontrei, nem mesmo na Internet, pois não sabia sequer uma frase.
Domingo, o poema foi republicado na coluna do Sant’ana.
Não sei o que fazer agora, que descobri o epitáfio perdido. Por enquanto, compartilho com vocês.
Em Paz
Já bem perto do ocaso, eu te bendigo, ó Vida,
porque nunca me deste esperança mentida,
nem trabalhos injustos, nem pena imerecida.Porque vejo, ao final de tão rude jornada,
que a minha sorte foi por mim mesmo traçada;
que, se extraí os doces méis ou o fel das cousas,
foi porque as adocei ou as fiz amargosas:
quando eu plantei roseiras, eu colhi sempre rosas.Decerto, aos meus ardores, vai suceder o inverno:
mas tu não me disseste que maio fosse eterno!Longas achei, confesso, minhas noites de penas;
mas não me prometeste noites boas, apenas,
e em troca tive algumas santamente serenas…Fui amado, afagou-me o Sol. Para que mais?
Vida, nada me deves. Vida, estamos em paz!Amado Nervo, poeta mexicano (1870-1919)
EM TEMPO: acabo de observar uma coisa incrível. O poema foi publicado no domingo, 10/02. O sepultamento do meu pai ocorreu exatamentequatro anos antes, em 10 de fevereiro de 2004.

Que linda!!!
Comment by Laura — February 15, 2008 @ 10:48 pm
Teu pai tinha bom gosto. Lindo esse poema, Luis.
: )
Comment by Cris — February 18, 2008 @ 5:45 pm
Felipe,
quando puder, manda gravar em um bloco de granito ou mármore e coloca no túmulo dele. Por enquanto, ele já está presenteado pela tua lembraça.
Comment by Mara Lane — April 24, 2008 @ 10:15 am