a favor de Fernandão
O melhor que pode acontecer para o capitão do Internacional é ir para o banco de reservas.
Os dois últimos jogos que vi do Inter foram contra Juventude e Chapecoense, ontem. No Centenário, Fernandão não foi mal; para mim, foi prejudicado pelo excelente esquema de marcação montado pelo treinador do Papo. Ontem, ele teve uma atuação ridícula. Lembrou os 200 centroavantes que Fernando Carvalho testou no Inter no seu mandato – especialmente, os piores, como Beto Cachoeira e Toledo. Perdeu todos os lances; não entrava nas divididas; desperdiçou gols feitos; parecia sem qualquer tesão por colocar a bola nas redes.
A demonstração mais clara disso foi o gol de Adriano, um jogador tecnicamente limitado, mas muito esforçado. No único momento que teve espaço, bem no final do jogo, baixou a cabeça e desceu o sarrafo na bola. Ele queria muito aquele gol. Fernandão não parecia querer o gol em nenhum momento. Estava displicente, desligado, enfastiado. Um burocrata.
Fernandão está no time por ser quem é. Manda no clube, só sai quando quiser. Só vai entrar em alguma lista de dispensas se assumir um presidente que tenha alguma divergência pessoal com ele – o que não é o caso.
No entanto, Abel é um dos únicos treinadores com autoridade para colocá-lo na reserva. Precisa fazer isso, para o bem do Inter e para o bem do atleta. A sua displicência contamina o time inteiro, pois ele é a referência, o líder. É quem levanta a taça e ganha o maior salário.
É um jogador de partidas decisivas. Esses três meses jogando contra times fracos, com classificação garantida, sem os desafios dos últimos três anos, parecem encher o seu saco. Ele quer a copa Dubai, Yokohama, a Libertadores. Nada disso está ao seu alcance. Jogo decisivo, só em abril.
Até lá, ele poderia abrir lugar para os guris que estão no banco. Guto, Valter, até mesmo Adriano. Eles estão sedentos por uma oportunidade. Querem estufar as redes com toda a força, mandar os gols para a namorada, a mulher, a mãe, os filhos. Querem o canto da Popular com o seu nome. Fernandão tem tudo isso há anos e não perderá nunca. Sua figura está imortalizada nas bandeiras e nos maiores pôsteres.
Se tomarem o seu lugar, Fernandão se sentirá ameaçado. Um leão ferido. Voltará a sentir o cheiro da carne fresca e arrepiar o pêlo. Voltará a treinar com vontade e buscar o gol com raça. Voltará, enfim, a jogar um futebol que corresponda ao seu avatar.
E aí, marcar gols nas grandes decisões será bem mais fácil.
