to the chaos and back

April 24, 2008

o brilho da Copa

Filed under: salada de frutas

alegria em branco e vermelho

Em princípio, a ressalva de que não vi o jogo. Um motivo pessoal, o qual não preciso comentar. No supermercado, minutos depois de tomar tal decisão - pouco passava das 19h - me bateu um arrependimento absurdo, sinal de uma grande confiança presente nos meus ombros por todo o dia. Eu sabia que a noite de ontem seria histórica. Imaginava, porém, dois a zero e penais.

Ouvi no meu novo rádio de pilha. Nunca façam isso com outra opção. É uma atividade torturante, de violentar até mesmo o coração mais tranquilo. Ouvi alto, pois Morgana queria meus fones. Aliás, Morgana foi extremamente compreensiva no primeiro tempo. Ouviu comigo, na sala, os trinta primeiros minutos. Parecia gostar das vozes desvairadas, até. Não sei se preciso descrever os fatos: lesão de Jonas, gol sofrido num momento de desestrutura, Andrezinho em chamas fazendo dois ao lado de Índio.

O momento mais terrível no meu imaginário foi o início do segundo tempo. Abel Braga, acostumado a viver de loucuras, tinha três atacantes em campo num jogo de dez contra nove. Depois, vendo o VT, percebi que Bonamigo fez exatamente o que eu imaginava: colocou até a mãe atrás, chutando tudo. Só o Inter tinha a bola. Eu não tinha um campo diante de mim para ver isso. Logo, levava o rádio na mão esquerda e sofria. A tranquilidade na qual as coisas se desenrolavam no início da segunda etapa me apavorou. Achar que o gol apareceria a qualquer momento era a pior coisa possível.

Só que este Inter é copeiro. Sim, copeiro. O adjetivo é utilizado por outros clubes? Dane-se. Copeiro é aquele que serve os outros? Não no futebol. Esse time do Inter é o time das grandes decisões, que joga com enfado nos pontos corridos e coisas do gênero, mas sua sangue quando vislumbra uma copa. É uma característica presente desde 2006, quando Abel assumiu. Abel tem algo de comandante aloprado que funciona muito bem sob pressão, deve ser isso. Ontem, ele só pôde fazer as substituições necessárias. Os jogadores caíram, eram expulsos, lesionados. As três alterações foram queimadas logo no início da segunda etapa.

O quatro a um veio, cedo. O horror. Na minha cabeça radiofônica, o Inter poderia levar um gol a qualquer momento, e a trave salvou em certa hora. Porém, a bola não sabia dos pés da equipe merengue. Aliás, o uniforme branco foi escolha dos atletas. Optaram pela mística. Só poderia ser assim.

Quando veio o quinto, o sentimento de catarse. Represado. Não poderia gritar em casa. Não tinha coragem de gritar na rua. Cheguei a sair correndo. Voltei. A incredulidade me travava as pernas. Nunca ouçam o jogo pelo rádio sozinhos. Nunca. Nem que seja para pegar um ônibus e ouvir lá no Gato do Alemão.

Ontem, o racional perdeu de goleada. Disse para amigos colorados, tempos atrás, que o Internacional precisava de uma partida de afogo, de horror, para crescer e acordar a mística que ainda não voltou de Yokohama. Pois, a mística voltou. Agora já dá para ver o brilho da Copa.

April 23, 2008

idéias estúpidas podem matar

Filed under: salada de frutas

do Correio do Povo:

Padre pediu socorro e desapareceu
Achados alguns balões no mar. No último contato, religioso usou o celular e disse que estava caindo

Pelo segundo dia, equipes da Marinha, da Polícia Militar e da Força Aérea Brasileira (FAB) não tiveram sucesso nas buscas ao padre Adelir De Carli, de 41 anos, que segue desaparecido. Ele tentava fazer um vôo de 20 horas, sentado em uma cadeira içada ao ar por balões de festa, cheios de gás hélio. De Carli anunciou o vôo para divulgar a Pastoral Rodoviária, da qual faz parte, e para a qual pretendia levantar recursos.

A decolagem ocorreu por volta das 13h de domingo, em Paranaguá, no Litoral do Paraná. Porém, por volta das 21h do mesmo dia, o padre entrou em contato com o Grupo de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer), de Joinville (SC), dizendo que estava pousando no mar. Ele pediu ajuda pelo celular quando se encontrava perto de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina. ‘Vem me socorrer. Estou caindo na água’, teria dito. No meio da tarde, o religioso já tinha emitido outro pedido de socorro. ‘Preciso entrar em contato com o pessoal, para que eles me ensinem a operar esse GPS, para dar as coordenadas de latitude e longitude, que é a única forma que alguém por terra possa saber onde estou‘, relatou na ocasião.

O equipamento que De Carli levava era composto por mil balões. Alguns tinham sido avistados no mar durante a segunda-feira. Ontem, no início da manhã, um conjunto deles foi percebido na região de Porto Belo, ao Sul de São Francisco do Sul, onde as buscas concentraram-se no dia anterior. Por volta do meio-dia, outro grupo foi avistado a 50 quilômetros de Florianópolis, ainda mais ao Sul.

A FAB ainda avistou o que poderia ser a cadeira usada pelo religioso. Um navio foi enviado para averiguar a informação. Segundo as autoridades, o vento, que estava a 40 quilômetros/hora, pode ter distanciado o padre da costa. Isso porque os balões podem ter sido impulsionados como uma vela e o arrastado para alto-mar. Ele estava com roupa térmica, tinha água potável e barras de cereais, mas não levava colete salva-vidas nem bote.

April 18, 2008

crime de favela não dá folhetim

Filed under: tribuna popular

não tenho quase nada a acrescentar sobre o caso Isabella que não tenha sido dito por outros 400 meios de comunicação nos últimos dias. Há uma comparação intrigante, porém.

quando mataram João Hélio, com toda aquela crueldade, em quatro (4) dias a Polícia, que não viu o crime, já tinha absoluta certeza sobre quem eram os criminosos. Acharam os cinco bandidos em menos de cinco dias. O crime aconteceu dia 7; confissão atrás de confissão, sem nenhum flagrante e com testemunhos não muito claros, prenderam um menor e quatro responsáveis.

na época, pediam o fim da maioridade penal aos 18; a pena de morte; a execução sumária dos envolvidos; diziam que 30 anos de cadeia era pouco; que três anos na Fase era uma vergonha; revisaram a lei de crimes hediondos; enfim, fizeram tudo, menos colocar em suspeita os métodos utilizados pela PM para encarcerar os cinco. Alguém precisava pagar o pato.

hoje, dia 18, a morte de Isabella Nardoni completa vinte dias. Tudo parece indicar que foram o pai e a madrasta os assassinos. Um crime igualmente bárbaro: estrangularam, espancaram, e depois jogaram pela janela. Vinte dias depois, a polícia ainda não conseguiu incriminá-los. Assim como no caso João Hélio, não havia flagrante. Assim como no mesmo caso, as testemunhas pouco viram.

Existem duas diferenças.

A primeira: após tantas manobras diversionistas, o casal até conseguiu voltar algumas pessoas a seu favor. Pessoas que questionam a cobertura excessiva da mídia e que até descobriram aquela máxima do direito penal, todo mundo é inocente até prova em contrário. Não confessaram o crime, nem foram obrigados a tal por algum delegado mais, digamos, incisivo.

A segunda: o casal tem dinheiro para pagar bons advogados. Nenhum defensor público enfrentaria a opinião geral por causa de meia dúzia de favelados.

mas também, a condição social dos criminosos pode ser mera coincidência…

April 17, 2008

o Inter precisa de um pedreiro

Não quero aqui fazer análises sobre um jogo o qual eu vi apenas metade. O Inter levou um tufo esperado do Paraná, ano passado, time do qual é freguês de caderno lá em Curitiba. Quero analisar o porvir. Na próxima quarta-feira, o Inter precisará muito de um pedreiro na frente da área.

Pedreiro é o centroavante que faz parede. Tem aqueles que só sabem fazer isso - Oséas, p.ex - e tem aqueles que também sabem marcar gols - o mais recente é Mendes. O Inter não tem nenhum pedreiro entre os 22 principais. Terá de inventar um. Pode ser Fernandão, se ele parar de se fresquear e estiver a fim de levar uns tocos nos tornozelos. Iarley, em último dos últimos casos. Adriano e Nilmar, nunca. Até o Horrozco pode fazer melhor a função do que eles.

Aliás, colocar zagueiros no comando de ataque era uma prática muito famosa no interior do Estado. Contam as lendas que em Caxias, havia um zagueiro tosco militando no Juventude, chamado Pinheiro. Em um Ca-Ju decisivo, sem ninguém no plantel, algum treinador maluco colocou Pinheiro com a 9. Marcou dois gols e virou herói. Menos sorte teve Darzone, que de center-forward do Santo Ângelo na Copa MAIS FÁCIL de 1999, se destacou apenas por socar o zagueiro Régis (do mesmo Caxias) e provocar um coma. Talvez Horrozco seja um centroavante razoável. Ele tem mais de 15 gols na carreira.

Voltando. O Inter terá de inventar um pedreiro. Não há no elenco, mas há na base: Guto, ou o filho bastardo do Claudiomiro, aquele Válter. Qualquer um. Até o Gustavo Papa me serve.

Por que essa necessidade de um centroavante? Porque o Paraná pode levar um gol e sair faceiro. Pode levar dois e catimbar nos penais. Pode levar três, se fizer um. O treinador do Paraná é Paulo Bonamigo, aquele que foi convidado pelo Marcelo Birck, junto da Xuxa, para tomar limonada no rancho de Alvorada. Bonamigo é o segundo maior retranqueiro no Brasil em atividade, só perde para o Geninho. Roth e Mano são aprendizes perto dele. Muricy está recém no berçário. Bonamigo não terá pudores em escalar três zagueiros e três volantes à beira do Guaíba, no dia 22 de abril. Bonamigo colocará dez debaixo da trave e o goleiro na frente. Retirará sua avó da tumba para chutar tudo em frente da área.

E o Inter, coitado, não tem força ofensiva. Tem atacantes muito bons, qualificados, técnicos e definidores. Mas são baixinhos, não muito fortes, inúteis perante um indecoroso catenaccio. Não dá para ir com Iarley e Nilmar para cima do Paraná. Não dá. Iarley, vá lá, ele é corajoso. Nilmar, além de fresco, não está jogando coisa alguma. Não dá. Precisa de um pedreiro.

Contra o Paraná Clube, na quarta que vem, é velocidade pelos flancos, cruzamento na área e muita, muita gritaria da torcida. Quem sabe, chegamos aos 2 a 0 e o vovô Clemer nos salva nos penais. Quem sabe. Sem um pedreiro, porém, tudo vai ficar bem difícil.

April 2, 2008

desse mal eu não sofro mais

Filed under: salada de frutas

a primeira vez que eu realmente me senti feliz por estar me formando foi hoje pela manhã, quando vi um aviso no elevador, dizendo quem vai assumir as disciplinas de telejornalismo a partir de agora.

professor Kléber Ferreira: muito obrigado por não ter se aposentado antes de 2007.






















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