to the chaos and back

May 26, 2008

mudança

Filed under: salada de frutas

mudei o template. Peguei um tema básico por que não tenho mais tempo de editar essas coisas.

May 15, 2008

o que restou da Copa BR

Em primeiro lugar, uma lembrança:

time do Inter considerado ideal por Abel:
Renan; WM, Índio, Sorondo, Marcão; Edinho, Magrão, Guiñazu, Alex; Fernandão e Nilmar

time do Inter que levou o terceiro gol do Sport ontem:
Clemer; Bustos, Orozco, Danny e Derlei; Pessanha, Jonas, Guiñazu e Alex; Fernandão e Nilmar. Danny sairia para entrar Iarley, no desespero.

Em qualquer outra circunstância, uma derrota por 3x1 para o Sport na Ilha do Retiro, com este time, seria normal.

O problema é somar esse time à péssima atuação de três dos eixos técnicos do Inter - Alex, Fernandão e Nilmar. Os dois primeiros se omitiram do jogo. Fernandão, mais ainda, porque estava desmarcado. Nilmar, além de não conseguir encontrar o maldito caminho do gol, foi vitimado pela omissão dos dois primeiros. Nenhum atacante em má fase pode ser jogado à própria sorte contra três zagueiros, tendo que puxar sozinho os contra-ataques. Ele corria para um e o lançamento partia na direção dos outros dois. Ele pegava a bola e não encontrava ninguém para tabelar. Foi ridículo.

Depois do jogo contra o Paraná, eu afirmei que esse time do Inter era copeiro, que havia reencontrado a fórmula para vencer jogos decisivos. Estava profundamente enganado. Lá no FinalSports falei repetidas vezes, ano passado, que o Inter precisava muito de CONCENTRAÇÃO para enfrentar essas partidas. A qualidade técnica não ganha partidas numa copa - a concentração, sim. Pois então. Vejam só o segundo gol do Sport.

Aqui, a minha ressalva: Jonas é um guri de 21 anos que tem a sua primeira oportunidade em time grande. Não tem mais que 15 partidas pelo Inter, não tem nenhuma decisão importante no currículo. Na hora que ele se apavorou com a bola nos pés, diante da área, ele fez o que qualquer guri apavorado faria: tocou a bola para quem sabe. O que Fernandão fez? Nem pensou. Preguiçosamente, chutou a bola nos pés do atleta do Sport e ela foi para dentro da área. O resto, todos sabemos.

O Inter terminou o jogo com quatro guris inexperientes e dois colombianos. Alguém tinha que orientar, assumir a responsabilidade, fazer o time jogar. Este alguém era o capitão do mundo, que preferiu ficar parado como um dois de paus a cada ataque do Sport, esperando a bola em algum lugar da meia defensiva. Alex teve uma péssima jornada técnica: tentava, não acertava coisa nenhuma, se deprimiu no campo por isso. Fernandão foi pior: teve uma péssima noite anímica. E o ânimo de Fernandão contagia o time inteiro.

Não tenho ressalvas quanto à atuação de Abel, a não ser a entrada de Iarley para resolver o jogo. Como bem percebeu o Carlos Carioca, Iarley tem uma tremenda dificuldade de correr em linha reta. Ele dá dois passos para a frente, três para trás. Era o momento de Adriano ou Válter.

Eu não posso falar nada sobre a defesa, mesmo que não tenha ganho nenhuma bola aérea e tenha demonstrado falhas de posicionamento absurdas. Além de nunca jogarem juntos e com dois colombianos em funções importantes da defesa - é preconceito, claro que é; mas eu só conheci três colombianos que jogavam sério, e nenhum deles estava em campo ontem - eram jogadores que dificilmente conseguirão apresentar uma qualidade técnica superior àquela ali. Usando o racional, é claro que era temerário escalar um jogador como Sorondo, seis meses de estaleiro depois, ontem. Porém, o que se decide numa copa muitas vezes transcende o racional.

Agora, é tentar a Libertadores e conviver com a sina de ficar 16 anos sem ganhar um título nacional. Para enfrentar qualquer coisa neste ano, os principais jogadores do Inter terão de assumir a responsabilidade nos momentos críticos. Aconteceu contra o Juventude, diante de uma torcida inflamada, mas não aconteceu contra o Paraná e nem ontem. Nem de perto isso é um problema técnico.

A propósito: os três colombianos que jogavam sério eram Oscar Córdoba, Chicho Serna e Victor Hugo Aristizábal.

May 6, 2008

carta a Fernando Lúcio da Costa

Fernandão,

Não vou aqui lhe pedir desculpas pelas inúmeras vezes que destinei a ti todos os impropérios necessários.

Desde o jogo contra o Vélez, no Beira-Rio, até o domingo retrasado.

Não vou dizer que nunca mais falarei de ti. Tu és um dos únicos que pode ser falado. Espinafrado. Espezinhado. Xingado.

Porque no fundo, no fim das contas, eu tenho uma tremenda inveja de ti. Eu gostaria muito de estar lá, vestindo a camisa 9, a faixa de capitão, fazendo três gols numa final e levantando a taça.

É por isso que sempre que jogares mal, eu falarei de ti. Direi que tu não és mais o mesmo. Que teu tempo acabou.

É por isso que eu, viciado que estive no sofrimento por toda uma década, não consigo conceber a tamanha felicidade que o senhor nos dá, a cada ano. Não entendo como a tua presença é tão necessária em campo. Não suporto os dias que passa sem gols. Não tolero o fato de que, se entregaste o jogo numa semana, no outro tu vais arrasar. Pior, todo mundo tem a absoluta certeza disso. Pior ainda, essa certeza se confirma.

Não, Fernando. Não és maior que Falcão. Falcão jogou dez anos, foi o melhor camisa 5 da história da Seleção Brasileira, ganhou incontáveis estaduais e três brasileiros. Falcão foi cria dos Eucaliptos. Especialmente, Falcão saiu do Inter vendido e sem dar a taça que seria a mais monumental da sua história, a da Libertadores de 1980.

Falcão representa quem sou eu. Sou vencedor, sou feliz, mas sempre trago na boca alguma coisa que falta. Aquela taça que resta, e que me faz continuar vivo.

Tu, Fernando, me dás todas as taças que eu preciso. Logo, não pode me representar. Essa tua mania de afastar demônios, de aniquilar os meus medos, de devastar as minhas sinas, é insuportável. Não posso viver sendo apenas feliz, sem temer o próximo Sport, o próximo Vasco da Gama. Sem roer as unhas antes da próxima decisão. Não posso ter a certeza que tu tens.

Quero, Fernando, que o senhor continue assim como está. Acabe com todos os meus sofrimentos. E quando achar que eles já são suficientes, inventarei novos. Quando achares que o Barcelona era o topo, inventarei uma touca. Quando conquistares a Arábia em cima dos italianos, vou temer o Paraná.

Eu sou a descrença. Tu és a certeza. Não vivo sem ti, e tu não vives sem mim.

Ass.: torcedor da década de 90.

P.S.: ontem, por apenas um breve momento, eu não queria ser Fernando Lúcio da Costa. Eu queria ser Clemer. Estou contente, porém, por ser apenas o sorriso que brotou da grama do Gigante e não mais fechou a boca desde então.






















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