o camisa 10
D’Alessandro é um reforço de marketing. Mezzo marketing, mezzo futebol, como uma pizza da Hut.
Com a grana que investiram o Inter e o Delcyr Sonda, daria para comprar um outro meia atacante com técnica apurada e carreira ascendente. No Chile, no Uruguai, na Colômbia, talvez na Argentina. Nenhum deles, porém, teria o impacto de D’Ale. É um jogador que garante votos, que facilita a reeleição de Píffero. Lota aeroporto, atrai sócios, aumenta a média de público. Talvez até obrigue o Inter a adotar numeração fixa - de quem mais poderia ser a 10, senão dele?
A meia ofensiva não era agora uma prioridade. Depois de muitos anos, o clube achou o enganche que faltava - Alex, outrora lateral esquerdo e terceiro homem, resolveu assumir essa função. Faz com maestria, tem 21 gols no ano. Porém, tem passaporte italiano. Dificilmente ficará na janela de agosto. Daí a necessidade de investir numa outra referência técnica, de preferência com credenciais.
Falei anteriormente em meias com carreira ascendente. Procurei no google os meias atacantes argentinos que lembrava, jovens que se destacaram no campeonato local e na seleção sub20 - Di Maria, Lautaro Acosta. Na Europa, ambos. Há uma imensa dificuldade - mal surge, o jogador é repassado por cifras altíssimas. Robert Flores, uruguaio, encantou o país no Clausura. Isso foi algo como anteontem: hoje, está no River Plate argentino emprestado pelo Villarreal, dono do seu passe.
Assim, fica muito mais fácil trazer quem não deu certo por lá, como D’Alessandro. Foi atrás do dinheiro no time da Volkswagen, depois na Inglaterra e na província de Aragão. Ganhou muito, mas perdeu futebol. Ganhou marra, máscara, fama de jogador problemático - as brigas com Aimar, mais velho e melhor, não deixam mentir.
Pode não dar certo dentro de campo, o que é uma possibilidade pequena, devido à qualidade do time do Inter e ao nível dos atletas do campeonato. Roger, por exemplo, levava o Grêmio nas costas mesmo estando numa descendência técnica um pouco mais séria do que a de D’Ale. É improvável, porém, que não dará certo como imagem. O Inter investiu num poderoso reforço de marketing para mobilizar o clube a fim de disputar, e ganhar, a Libertadores no Centenário.
Não há nenhuma explicação lógica para a contratação de Celso Roth pelo Grêmio, uma vez demitido Vágner Mancini. O ex-técnico do Paulista foi demitido sem perder nenhum jogo, com 77% de aproveitamento incluindo jogos oficiais e não oficiais. Tudo bem: é início de temporada e o Grêmio jogou contra times fracos. Não conheço, porém, outro treinador que tenha sido demitido invicto.
