to the chaos and back

July 22, 2008

o camisa 10

D’Alessandro é um reforço de marketing. Mezzo marketing, mezzo futebol, como uma pizza da Hut.

Com a grana que investiram o Inter e o Delcyr Sonda, daria para comprar um outro meia atacante com técnica apurada e carreira ascendente. No Chile, no Uruguai, na Colômbia, talvez na Argentina. Nenhum deles, porém, teria o impacto de D’Ale. É um jogador que garante votos, que facilita a reeleição de Píffero. Lota aeroporto, atrai sócios, aumenta a média de público. Talvez até obrigue o Inter a adotar numeração fixa - de quem mais poderia ser a 10, senão dele?

A meia ofensiva não era agora uma prioridade. Depois de muitos anos, o clube achou o enganche que faltava - Alex, outrora lateral esquerdo e terceiro homem, resolveu assumir essa função. Faz com maestria, tem 21 gols no ano. Porém, tem passaporte italiano. Dificilmente ficará na janela de agosto. Daí a necessidade de investir numa outra referência técnica, de preferência com credenciais.

Falei anteriormente em meias com carreira ascendente. Procurei no google os meias atacantes argentinos que lembrava, jovens que se destacaram no campeonato local e na seleção sub20 - Di Maria, Lautaro Acosta. Na Europa, ambos. Há uma imensa dificuldade - mal surge, o jogador é repassado por cifras altíssimas. Robert Flores, uruguaio, encantou o país no Clausura. Isso foi algo como anteontem: hoje, está no River Plate argentino emprestado pelo Villarreal, dono do seu passe.

Assim, fica muito mais fácil trazer quem não deu certo por lá, como D’Alessandro. Foi atrás do dinheiro no time da Volkswagen, depois na Inglaterra e na província de Aragão. Ganhou muito, mas perdeu futebol. Ganhou marra, máscara, fama de jogador problemático - as brigas com Aimar, mais velho e melhor, não deixam mentir.

Pode não dar certo dentro de campo, o que é uma possibilidade pequena, devido à qualidade do time do Inter e ao nível dos atletas do campeonato. Roger, por exemplo, levava o Grêmio nas costas mesmo estando numa descendência técnica um pouco mais séria do que a de D’Ale. É improvável, porém, que não dará certo como imagem. O Inter investiu num poderoso reforço de marketing para mobilizar o clube a fim de disputar, e ganhar, a Libertadores no Centenário.

June 12, 2008

Conjectura

os diálogos abaixo foram invenção da minha cabeça, baseadas na lógica dos fatos correntes. Se não for verdade, se for inverossímil, gritem nos comentários.

quinta:
FC: “Píffero, o melhor treinador é o Tite”
VP: “Não gosto, e a torcida vai me matar pq é gremista”.

sexta:
FC: “Luigi, o meu treinador é o Tite, mas o Píffero não quer”.
GL: “O meu também. Vou tentar convencer o presidente.”

sábado:
GL: “O meu treinador e o do Carvalho, é o Tite. Topas?”
VP: “Nunca. Qualquer um. Até o Nelsinho.”

domingo:
GL: “Presidente disse nunca, até o Nelsinho serve.”
FC: “Ah é? Vamos ver.”

segunda:
FC, Rádio Gaúcha: “Nelsinho é um grande treinador e foi injustiçado no Inter”

terça:
VP: “Porra, de onde tiraram o Nelsinho?”
GL: “Ah, o Carvalho disse que tu gosta dele. Eu ainda prefiro o Tite. Mas é tu quem manda.”

ontem:
FC: “Viu? Perto do Nelsinho, o Tite é ídolo. A Gaúcha deu 90% a favor do meu treinador”.
VP: “Tá bom, vamos chamar. Mas com uma condição.”
FC: “Qual?”
VP: “Não sou eu quem vai aturar ele no vestiário. Vai ser tu.”

May 15, 2008

o que restou da Copa BR

Em primeiro lugar, uma lembrança:

time do Inter considerado ideal por Abel:
Renan; WM, Índio, Sorondo, Marcão; Edinho, Magrão, Guiñazu, Alex; Fernandão e Nilmar

time do Inter que levou o terceiro gol do Sport ontem:
Clemer; Bustos, Orozco, Danny e Derlei; Pessanha, Jonas, Guiñazu e Alex; Fernandão e Nilmar. Danny sairia para entrar Iarley, no desespero.

Em qualquer outra circunstância, uma derrota por 3x1 para o Sport na Ilha do Retiro, com este time, seria normal.

O problema é somar esse time à péssima atuação de três dos eixos técnicos do Inter - Alex, Fernandão e Nilmar. Os dois primeiros se omitiram do jogo. Fernandão, mais ainda, porque estava desmarcado. Nilmar, além de não conseguir encontrar o maldito caminho do gol, foi vitimado pela omissão dos dois primeiros. Nenhum atacante em má fase pode ser jogado à própria sorte contra três zagueiros, tendo que puxar sozinho os contra-ataques. Ele corria para um e o lançamento partia na direção dos outros dois. Ele pegava a bola e não encontrava ninguém para tabelar. Foi ridículo.

Depois do jogo contra o Paraná, eu afirmei que esse time do Inter era copeiro, que havia reencontrado a fórmula para vencer jogos decisivos. Estava profundamente enganado. Lá no FinalSports falei repetidas vezes, ano passado, que o Inter precisava muito de CONCENTRAÇÃO para enfrentar essas partidas. A qualidade técnica não ganha partidas numa copa - a concentração, sim. Pois então. Vejam só o segundo gol do Sport.

Aqui, a minha ressalva: Jonas é um guri de 21 anos que tem a sua primeira oportunidade em time grande. Não tem mais que 15 partidas pelo Inter, não tem nenhuma decisão importante no currículo. Na hora que ele se apavorou com a bola nos pés, diante da área, ele fez o que qualquer guri apavorado faria: tocou a bola para quem sabe. O que Fernandão fez? Nem pensou. Preguiçosamente, chutou a bola nos pés do atleta do Sport e ela foi para dentro da área. O resto, todos sabemos.

O Inter terminou o jogo com quatro guris inexperientes e dois colombianos. Alguém tinha que orientar, assumir a responsabilidade, fazer o time jogar. Este alguém era o capitão do mundo, que preferiu ficar parado como um dois de paus a cada ataque do Sport, esperando a bola em algum lugar da meia defensiva. Alex teve uma péssima jornada técnica: tentava, não acertava coisa nenhuma, se deprimiu no campo por isso. Fernandão foi pior: teve uma péssima noite anímica. E o ânimo de Fernandão contagia o time inteiro.

Não tenho ressalvas quanto à atuação de Abel, a não ser a entrada de Iarley para resolver o jogo. Como bem percebeu o Carlos Carioca, Iarley tem uma tremenda dificuldade de correr em linha reta. Ele dá dois passos para a frente, três para trás. Era o momento de Adriano ou Válter.

Eu não posso falar nada sobre a defesa, mesmo que não tenha ganho nenhuma bola aérea e tenha demonstrado falhas de posicionamento absurdas. Além de nunca jogarem juntos e com dois colombianos em funções importantes da defesa - é preconceito, claro que é; mas eu só conheci três colombianos que jogavam sério, e nenhum deles estava em campo ontem - eram jogadores que dificilmente conseguirão apresentar uma qualidade técnica superior àquela ali. Usando o racional, é claro que era temerário escalar um jogador como Sorondo, seis meses de estaleiro depois, ontem. Porém, o que se decide numa copa muitas vezes transcende o racional.

Agora, é tentar a Libertadores e conviver com a sina de ficar 16 anos sem ganhar um título nacional. Para enfrentar qualquer coisa neste ano, os principais jogadores do Inter terão de assumir a responsabilidade nos momentos críticos. Aconteceu contra o Juventude, diante de uma torcida inflamada, mas não aconteceu contra o Paraná e nem ontem. Nem de perto isso é um problema técnico.

A propósito: os três colombianos que jogavam sério eram Oscar Córdoba, Chicho Serna e Victor Hugo Aristizábal.

May 6, 2008

carta a Fernando Lúcio da Costa

Fernandão,

Não vou aqui lhe pedir desculpas pelas inúmeras vezes que destinei a ti todos os impropérios necessários.

Desde o jogo contra o Vélez, no Beira-Rio, até o domingo retrasado.

Não vou dizer que nunca mais falarei de ti. Tu és um dos únicos que pode ser falado. Espinafrado. Espezinhado. Xingado.

Porque no fundo, no fim das contas, eu tenho uma tremenda inveja de ti. Eu gostaria muito de estar lá, vestindo a camisa 9, a faixa de capitão, fazendo três gols numa final e levantando a taça.

É por isso que sempre que jogares mal, eu falarei de ti. Direi que tu não és mais o mesmo. Que teu tempo acabou.

É por isso que eu, viciado que estive no sofrimento por toda uma década, não consigo conceber a tamanha felicidade que o senhor nos dá, a cada ano. Não entendo como a tua presença é tão necessária em campo. Não suporto os dias que passa sem gols. Não tolero o fato de que, se entregaste o jogo numa semana, no outro tu vais arrasar. Pior, todo mundo tem a absoluta certeza disso. Pior ainda, essa certeza se confirma.

Não, Fernando. Não és maior que Falcão. Falcão jogou dez anos, foi o melhor camisa 5 da história da Seleção Brasileira, ganhou incontáveis estaduais e três brasileiros. Falcão foi cria dos Eucaliptos. Especialmente, Falcão saiu do Inter vendido e sem dar a taça que seria a mais monumental da sua história, a da Libertadores de 1980.

Falcão representa quem sou eu. Sou vencedor, sou feliz, mas sempre trago na boca alguma coisa que falta. Aquela taça que resta, e que me faz continuar vivo.

Tu, Fernando, me dás todas as taças que eu preciso. Logo, não pode me representar. Essa tua mania de afastar demônios, de aniquilar os meus medos, de devastar as minhas sinas, é insuportável. Não posso viver sendo apenas feliz, sem temer o próximo Sport, o próximo Vasco da Gama. Sem roer as unhas antes da próxima decisão. Não posso ter a certeza que tu tens.

Quero, Fernando, que o senhor continue assim como está. Acabe com todos os meus sofrimentos. E quando achar que eles já são suficientes, inventarei novos. Quando achares que o Barcelona era o topo, inventarei uma touca. Quando conquistares a Arábia em cima dos italianos, vou temer o Paraná.

Eu sou a descrença. Tu és a certeza. Não vivo sem ti, e tu não vives sem mim.

Ass.: torcedor da década de 90.

P.S.: ontem, por apenas um breve momento, eu não queria ser Fernando Lúcio da Costa. Eu queria ser Clemer. Estou contente, porém, por ser apenas o sorriso que brotou da grama do Gigante e não mais fechou a boca desde então.

April 17, 2008

o Inter precisa de um pedreiro

Não quero aqui fazer análises sobre um jogo o qual eu vi apenas metade. O Inter levou um tufo esperado do Paraná, ano passado, time do qual é freguês de caderno lá em Curitiba. Quero analisar o porvir. Na próxima quarta-feira, o Inter precisará muito de um pedreiro na frente da área.

Pedreiro é o centroavante que faz parede. Tem aqueles que só sabem fazer isso - Oséas, p.ex - e tem aqueles que também sabem marcar gols - o mais recente é Mendes. O Inter não tem nenhum pedreiro entre os 22 principais. Terá de inventar um. Pode ser Fernandão, se ele parar de se fresquear e estiver a fim de levar uns tocos nos tornozelos. Iarley, em último dos últimos casos. Adriano e Nilmar, nunca. Até o Horrozco pode fazer melhor a função do que eles.

Aliás, colocar zagueiros no comando de ataque era uma prática muito famosa no interior do Estado. Contam as lendas que em Caxias, havia um zagueiro tosco militando no Juventude, chamado Pinheiro. Em um Ca-Ju decisivo, sem ninguém no plantel, algum treinador maluco colocou Pinheiro com a 9. Marcou dois gols e virou herói. Menos sorte teve Darzone, que de center-forward do Santo Ângelo na Copa MAIS FÁCIL de 1999, se destacou apenas por socar o zagueiro Régis (do mesmo Caxias) e provocar um coma. Talvez Horrozco seja um centroavante razoável. Ele tem mais de 15 gols na carreira.

Voltando. O Inter terá de inventar um pedreiro. Não há no elenco, mas há na base: Guto, ou o filho bastardo do Claudiomiro, aquele Válter. Qualquer um. Até o Gustavo Papa me serve.

Por que essa necessidade de um centroavante? Porque o Paraná pode levar um gol e sair faceiro. Pode levar dois e catimbar nos penais. Pode levar três, se fizer um. O treinador do Paraná é Paulo Bonamigo, aquele que foi convidado pelo Marcelo Birck, junto da Xuxa, para tomar limonada no rancho de Alvorada. Bonamigo é o segundo maior retranqueiro no Brasil em atividade, só perde para o Geninho. Roth e Mano são aprendizes perto dele. Muricy está recém no berçário. Bonamigo não terá pudores em escalar três zagueiros e três volantes à beira do Guaíba, no dia 22 de abril. Bonamigo colocará dez debaixo da trave e o goleiro na frente. Retirará sua avó da tumba para chutar tudo em frente da área.

E o Inter, coitado, não tem força ofensiva. Tem atacantes muito bons, qualificados, técnicos e definidores. Mas são baixinhos, não muito fortes, inúteis perante um indecoroso catenaccio. Não dá para ir com Iarley e Nilmar para cima do Paraná. Não dá. Iarley, vá lá, ele é corajoso. Nilmar, além de fresco, não está jogando coisa alguma. Não dá. Precisa de um pedreiro.

Contra o Paraná Clube, na quarta que vem, é velocidade pelos flancos, cruzamento na área e muita, muita gritaria da torcida. Quem sabe, chegamos aos 2 a 0 e o vovô Clemer nos salva nos penais. Quem sabe. Sem um pedreiro, porém, tudo vai ficar bem difícil.

March 20, 2008

a favor de Fernandão

O melhor que pode acontecer para o capitão do Internacional é ir para o banco de reservas.

Os dois últimos jogos que vi do Inter foram contra Juventude e Chapecoense, ontem. No Centenário, Fernandão não foi mal; para mim, foi prejudicado pelo excelente esquema de marcação montado pelo treinador do Papo. Ontem, ele teve uma atuação ridícula. Lembrou os 200 centroavantes que Fernando Carvalho testou no Inter no seu mandato – especialmente, os piores, como Beto Cachoeira e Toledo. Perdeu todos os lances; não entrava nas divididas; desperdiçou gols feitos; parecia sem qualquer tesão por colocar a bola nas redes.

A demonstração mais clara disso foi o gol de Adriano, um jogador tecnicamente limitado, mas muito esforçado. No único momento que teve espaço, bem no final do jogo, baixou a cabeça e desceu o sarrafo na bola. Ele queria muito aquele gol. Fernandão não parecia querer o gol em nenhum momento. Estava displicente, desligado, enfastiado. Um burocrata.

Fernandão está no time por ser quem é. Manda no clube, só sai quando quiser. Só vai entrar em alguma lista de dispensas se assumir um presidente que tenha alguma divergência pessoal com ele – o que não é o caso.

No entanto, Abel é um dos únicos treinadores com autoridade para colocá-lo na reserva. Precisa fazer isso, para o bem do Inter e para o bem do atleta. A sua displicência contamina o time inteiro, pois ele é a referência, o líder. É quem levanta a taça e ganha o maior salário.

É um jogador de partidas decisivas. Esses três meses jogando contra times fracos, com classificação garantida, sem os desafios dos últimos três anos, parecem encher o seu saco. Ele quer a copa Dubai, Yokohama, a Libertadores. Nada disso está ao seu alcance. Jogo decisivo, só em abril.

Até lá, ele poderia abrir lugar para os guris que estão no banco. Guto, Valter, até mesmo Adriano. Eles estão sedentos por uma oportunidade. Querem estufar as redes com toda a força, mandar os gols para a namorada, a mulher, a mãe, os filhos. Querem o canto da Popular com o seu nome. Fernandão tem tudo isso há anos e não perderá nunca. Sua figura está imortalizada nas bandeiras e nos maiores pôsteres.

Se tomarem o seu lugar, Fernandão se sentirá ameaçado. Um leão ferido. Voltará a sentir o cheiro da carne fresca e arrepiar o pêlo. Voltará a treinar com vontade e buscar o gol com raça. Voltará, enfim, a jogar um futebol que corresponda ao seu avatar.

E aí, marcar gols nas grandes decisões será bem mais fácil.

March 19, 2008

o bode e a sala

Genial a idéia de banir as bebidas alcoólicas dos estádios. É exatamente o que todos precisavam.

Vivemos um tempo estranho: o álcool é considerado uma das drogas mais nocivas da sociedade. Centenas morrem por beber e dirigir. Milhares de mulheres apanham em casa por conta de maridos bêbados. Dezenas de milhares de casos de violência são provocados por bebidas - o secretário de segurança falou até em Lei Seca. O cerco ao álcool está em toda parte. Porém, a bebida continua legalizada.

Agora, os estádios de futebol. Em outros tempos, tentaram adotar medidas semelhantes. Com medo de eventuais desordens, a BM pediu ao Inter para que impedisse torcedores bêbados de entrar no estádio, na final da Libertadores. Colocou bafômetros. Foi um fracasso retumbante. Todos os pinguços entraram, vibraram, beberam mais lá dentro, e ninguém saiu ferido, preso ou morto. Agora, acham que tirando a cerveja das copas vão conseguir evitar atos de violência.

Todos que querem assistir às partidas bêbados tomam um trago antes - é muito mais barato e ainda dá para socializar com os amigos de fé. Não são poucos os que vão para a arquibancada chapados de pó, maconha, loló e afins. Também não são poucos os que fumam maconha DENTRO da arquibancada. Mais ainda: o principal foco de consumo de bebidas no Beira-Rio é a social. Em segundo lugar, a superior. São as pessoas que têm mais dinheiro - não dá para sustentar um trago com latinhas de Sol a R$ 2,5 - e quem pode acessar a copa com maior facilidade, pois há mais e maiores bares. Quem vai na Popular bebe antes e depois do jogo. Bebe muito pouco no intervalo - no máximo dá para comprar duas latinhas. Bebe menos ainda durante a partida, pois é muito complicado passar por todo mundo, e mais complicado ainda perder aquele ataque que está começando.

Outra: quantas ocorrências de violência são diretamente relacionadas ao consumo de bebida alcóolica no estádio? Vejamos o grenal dos banheiros químicos: houve mais consumo por pessoa de bebida na torcida do Grêmio, que invadiu o espaço colorado? Vejamos o grenal seguinte, no qual a torcida colorada entrou em confronto com a polícia: o bar do Olímpico estava fechado! Vejamos em outros lugares. Na Argentina, há muito tempo não se pode beber no estádio. No domingo, mataram um torcedor do Vélez a tiros no entorno do campo. E nenhuma gota de álcool foi consumida no Fortin. No ano retrasado, a torcida do Nueva Chicago arrebentou o alambrado e partiu para a luta contra hinchas do Tigre. Nenhuma cerveja foi vendida em Mataderos. Em São Paulo, a Mancha Verde entrou em confronto com a polícia pq queria invadir o espaço são-paulino em Ribeirão Preto. A bebida estava proibida. Em nenhum dos três conflitos recentes da torcida corintiana com a PM, havia venda de álcool nos estádios.

Afirmo com absoluta certeza: NENHUM dos atos de violência registrados em estádios de futebol têm a ver com os produtos consumidos na copa.

Com a medida, porém, o deputado Miki Breier consegue o seu objetivo. Joga para a imprensa e para outros interessados, como o Sindicato Médico. A imprensa saúda e diz que vai começar agora o fim da violência. Os demais interessados fazem coro para convencer a torcida a levar as “famílias” ao campo.

Mais adiante, quando morrer alguém no campo de futebol, quando novos atos de vandalismo acontecerem, quando novas batalhas campais ocorrerem, vão inventar outro bode expiatório. Sem nunca fazer o que de fato funciona: punir diretamente o clube, quando os torcedores daquele clube aprontarem.

A idéia é genial. Mostra como ainda é possível fazer politicagem barata sem nenhum sentido prático. O pior de tudo é que ainda convence alguns incautos.

February 15, 2008

a tragédia anunciada

Não há nenhuma explicação lógica para a contratação de Celso Roth pelo Grêmio, uma vez demitido Vágner Mancini.  O ex-técnico do Paulista foi demitido sem perder nenhum jogo, com 77% de aproveitamento incluindo jogos oficiais e não oficiais. Tudo bem: é início de temporada e o Grêmio jogou contra times fracos. Não conheço, porém, outro treinador que tenha sido demitido invicto.

Tentando encontrar motivos, o Ilgo escreveu que Mancini andava muito faceiro, ofensivista. Não posso discordar mais. Mancini declarou que queria armadores que marcassem - Roger, portanto, deveria se dedicar mais para assumir a titularidade absoluta. Contra o Caxias, no Centenário, levou dois gols de empate e fechou todo o time para não levar mais. Estava com um a menos? É verdade, mas era o Grêmio contra um time de terceira divisão. Depois, contra o Jaciara (não vi esse jogo) Mancini teria jogado no 4-2-4. Ora, era o JACIARA! Se não escalar quatro jogadores ofensivos contra esse time, vai escalar contra quem?

 Vasculhando em comunidades do Orkut, vejo que a maioria dos torcedores está desesperada. Uma minoria lúcida tenta achar as razões para o desatino de Pelaipe. Aqueles que concordam trazem argumentos como "o Mancini era muito omisso" e "não conseguiu fazer um time organizado". Quanto à primeira questão, levantada também por Pelaipe, tenho lá minhas dúvidas. Pelaipe é um dirigente sanguíneo; a torcida do Grêmio exige um time vibrante. Se Mancini tem um temperamento mais equilibrado, isso deveria ser encarado como positivo, pois é nele que o jogador encontrará a tranquilidade para a dedicação total dentro de campo. Ainda mais um time completamente novo como o Grêmio, no qual muitos dos seus limitados jogadores devem sentir uma tremenda insegurança ao vestir a malha tricolor. Além do mais, se Tite vencer as especulações e for contratado, toda essa teoria cai por terra.

A escolha do Grêmio não poderia ser pior. Celso Roth é um treinador cuja biografia traz quase todos os times grandes do país (Grêmio, Inter, Palmeiras, Vasco, Botafogo, Flamengo, Atlético Mineiro, Santos. Dos doze grandes, treinou oito) mas apenas quatro títulos, um deles pelo Sport. Quase todas as suas passagens recentes por grandes equipes duraram de quatro a seis meses. Consta que Roth não mantém boas relações com jogadores, via de regra. O Grêmio tem como referência técnica um atleta que já bateu pênalti para fora a fim de demitir treinador (veja o vídeo a 01:00) Nenhum dirigente em sã consciência pode acreditar que Roger e Roth terão uma convivência pacífica.

Encaro a contratação de Roth como uma tragédia anunciada. Inclusive acho que o Grêmio terá três treinadores neste ano. 

February 4, 2008

é carnaval, é doce ilusão…

…é promessa de vida no meu coração  (Mangueira, Se Todos Fossem Iguais à Você, 1992)

 na Zero Hora de hoje, tem uma foto enorme do Alexandre Pato na contracapa, com o título "Pato Ferido":

assim como o Caderno de Esportes abre com "A dor de Pato" como o fato mais importante do final de semana. A rigor, ele sofreu uma lesão no tornozelo - grave, segundo o treinador Ancelotti, que nunca foi médico. Em 48 horas vão saber qual a gravidade da coisa. Ontem, além do mais, ele fez o gol da vitória. Ou seja: não era uma notícia lá tão importante. Só que foi uma sacada genial de ZH.

Explico: a guriazinha de 14 anos que é apaixonaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaada pelo Pato está em Atlântida, curtindo o seu carnaval, tomando um sorvetinho e olha na banca: "Pato ferido!" com uma foto da cara de dor do pobrezinho.

Ela vai correndo comprar a edição do jornal para saber que tragédia ocorreu com o amor da sua vida.

O valor informativo é pouco. A lesão pode não ter nenhuma gravidade. Só que ZH pega a guriazinha de 14 anos pelo fígado. Ela até desiste do sorvete para comprar uma edição do jornal. Ela não pode ficar sem saber o que aconteceu.

January 22, 2008

vai subir alguém

depois que o Inter foi eliminado da Copinha, perguntei o básico para os dois colorados que mais acompanharam as categorias inferiores nesta pré-temporada:

se Abel te dissesse: “eu quero cinco a seis atletas para o grupo”, tu mandaria quem?

Alexandre Perin: Tales (meia-atacante) , Válter (centroavante), Sandro (1º volante), Paulinho (2º volante) e Éderson (atacante)

Daniel Ricci Araújo: Paulinho, Sandro, Ederson e Valter.

referências:
- Válter, que mereceu uma coluna inteira de Daniel, é centroavante “bigorna”. Forte, trombador, chutador, cabeceador, bate nos zagueiros e eles caem. Foi a estrela colorada no torneio.

- Éderson, segundo Daniel e o Wianey Carlet, é atacante veloz, driblador e encardido.

- Sandro, segundo Perin, tem espírito de liderança, é alto e se impõe em campo. Fez falta no jogo decisivo.

- Paulinho, segundo Daniel, é volante de ótima marcação e muito boa saída.

- Tales é aquele meia driblador que todos conhecemos.

não vi nenhuma das partidas, apenas os melhores momentos. Gostei do goleiro Agenor (sou fã de goleiros debochados) e torço para Natan, que segundo meu irmão, é o melhor 1º homem do Beira-Rio.






















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